1º Ano – Texto Revisional para a Prova global - 3º Bimestre


Natureza e Cultura
Dizer que o homem é um ser de cultura e não um animal como os outros significa afirmar que o homem possui características distintas daquelas dos animais. Uma característica que pertence somente ao homem é que ele é o único ser capaz de criar valores. As atitudes humanas são guiadas por seus valores éticos, ou seja, pelo que ele acredita ser certo ou errado, diferente dos animais da natureza que se guiam unicamente pelos instintos.

É interessante observar que não falta ao Chipanzé a mesma capacidade de observação e de invenção de uma criança no primeiro ano de vida, faltando-lhe, porém, a capacidade de comunicação. Assim sendo, cada observação realizada por um indivíduo chipanzé não beneficia a sua espécie, pois nasce e acaba com ele. No caso humano, ocorre exatamente o contrário: toda a experiência de um indivíduo é transmitida aos demais, criando assim um interminável processo de acumulação. Assim sendo, a comunicação é um processo cultural. Mais explicitamente, a linguagem humana é um produto da cultura, mas não existiria cultura se o homem não tivesse a possibilidade de desenvolver um sistema articulado de comunicação oral. Todo comportamento humano se origina no uso de símbolos. Foi o símbolo que transformou nossos ancestrais antropoides em homens e fê-los humanos. Todas as civilizações se espalharam e perpetuaram somente pelo uso de símbolos. Com base nisso, podemos dizer que a relação de diferenciação entre natureza e cultura tem como aspecto fundamental o fato de a cultura, como elemento distintivo da humanidade, nascer da singular capacidade humana de assimilação e comunicação.

Na prática, qual a diferença entre natural e cultural?
Observe as duas situações: 
1) Um corpo qualquer deixado no ar, a uma certa altura do chão, cai inexoravelmente. 
2) Um jarro antigo cai das mãos de uma mulher ao limpar a sua casa, ela, como reação, ela pode chorar ou rir do que ocorreu. 
Essas duas situações, ao serem comparadas, indicam que a queda do corpo é um evento natural e a reação da mulher é um ato cultural.

Uma outra situação a ser analisada:
Sabe-se que o pássaro João de Barro constrói seu ninho com argila num galho de árvore, o que é um trabalho notável. No entanto, todos os seus ninhos são iguais e feitos da mesma forma, sem que se note nenhuma melhoria em sua estrutura. Os homens também constroem casas, mas não fazem as casas apenas como abrigo necessário. Satisfeita a necessidade, ele enfeita e melhora a casa e cria novas funções para telhados e outras coisas. Infere-se desta afirmação que o animal e o homem produzem juntos o natural (o necessário), mas o homem avança em qualidade ao produzir o cultural.

Comunicação e Linguagem
As pessoas comunicam de diversas formas ou tipos, mas a comunicação verbal oral é a mais comum e refere-se à emissão de palavras e sons que usamos para nos comunicar, tais como dar instruções, entrevistar ou informar, já a comunicação verbal escrita é o registro de observações, como pensamentos, interrogações, informações e sentimentos.  Apesar dos grandes avanços tecnológicos, a palavra continua a ser um dos meios de comunicação mais eficazes que existem. A respeito da comunicação verbal, podemos dizer que:
- A comunicação verbal é um dos principais fatores que distingue o homem das outras espécies.
- Utiliza a linguagem oral ou escrita para o estabelecimento do contato.
- Através da comunicação verbal, simbólica e abstrata, que se faz por palavras (faladas ou escritas) o homem pôde compreender e dominar o mundo que o rodeia e entender os outros.
- A comunicação verbal envolve: ritmo, tom, entonação da voz.
- Desde os tempos mais remotos de nossa história se percebeu a importância desse tipo de linguagem.
- A mentira é unicamente verbal, o corpo não mente.
- A mentira é unicamente verbal, o corpo não mente.

A Mídia e suas influências
A palavra mídia vem do inglês, media, esta por sua vez do latim medium, e quer dizer meios, “aquele que está no meio”. A mídia são os meios pelos quais a comunicação chega ao seu destino. Assim, o rádio, a televisão, a Internet, propagandas, e etc. são diversos tipos de mídia. A mídia evoluiu muito no decorrer da história. Hoje ela é tão vital na sociedade contemporânea, que não conseguimos imaginar nossas vidas sem ela. Por ser necessária, seu poder é quase ilimitado. Porém, como fator negativo, a mídia influencia em demasia o homem, essa influência vai desde a escova de dentes que ele usa, a quem ele vai votar nas próximas eleições, portanto, muitas vezes ela manipula seus telespectadores, que de uma forma geral, não conseguem perceber tais coisas.
Através da base construída pela mídia e da troca rápida de informações, o capitalismo ganha força. A mídia contemporânea divulga como seu principal valor: o Ter é Ser. Ela, aproveitando de seu alcance e poder, manipula seus interlocutores através de propagandas e merchandisings cada vez mais racionalizados, para assim vender seus produtos.

Conceitos trabalhados no bimestre
Abstração: É o processo de pensamento em que ideias são distanciadas dos objeto (filosofia) objetos, operação intelectual onde existe o método que isola os generalismos teóricos dos problemas concretos por forma a resolver os últimos.

Agnosticismo: doutrina segundo a qual o fundo das coisas é incognoscível, não podendo ser conhecido pelo espírito humano.

Alteridade: é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende do outro. É a relação de oposição entre o sujeito pensante (o eu) e o objeto pensado (o não eu).

Altruísmo: é um tipo de comportamento encontrado nos seres humanos e outros seres vivos, em que as ações de um indivíduo beneficiam outrem. No sentido comum do termo, é muitas vezes percebida como sinônimo de solidariedade. A palavra foi cunhada em 1831 pelo filósofo francês Augusto Comte para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros.

Axiologia: ou filosofia dos valores, é o campo da filosofia que reflete sobre a natureza e as características do valor.

Egoísmo: é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona.

Incognoscível: é aquilo que não se pode ser conhecido.

2º Ano – Texto Revisional para a Prova global - 3º Bimestre


Axilogia
Na atualidade é de extrema importância se rediscutir a questão dos valores e quais os espaços que eles devem ocupar em nossa sociedade, pois, há uma pluralidade de valores e não apenas um que se deve ser levado em conta. Hoje, os valores materiais, muitas vezes, se sobrepõem aos demais tipos de valores. Enfim, podemos dizer que estamos Vivendo uma crise de ética/moral.

Atualmente virou moda falar sobre ética. Fala-se sobre ética na política, ética no esporte, ética nas profissões e ética nas relações sociais, etc. Fala-se tanto, a ponto de banalizarem seus conceitos. Será que as pessoas realmente sabem o significado desse conceito tão essencial e tão complexo? Por isso vale a pena procurar entendê-lo. Sobre tal conceito podemos dizer que:
- Ética são valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios códigos de ética.
- A palavra vem do grego ETHOS, tal palavra significava morada, costumes, hábitos, e tudo aquilo que, direta ou indiretamente, estão ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida.
- São conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social.
- São valores que definem o que: quero, posso e devo. Porque nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo e nem tudo que eu devo eu quero!

Na ética contemporânea, o sujeito não é mais um sujeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente natural. Ele é simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito histórico-social. Assim, a ética adquire um dimensionamento político, uma vez que a ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada fora da relação social coletiva. Desse modo, a ética se entrelaça, necessariamente, com a política, entendida esta como a área de avaliação dos valores que atravessam as relações sociais e que interliga os indivíduos entre si. Assim sendo, fica evidente o sentido coletivo e político das ações humanas individuais.

A ética precisa ser compreendida como um empreendimento coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque é produto da relação interpessoal e social. A ética supõe ainda que cada grupo social se organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para o exercício de um pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é também uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valores sociais para organizar também uma nova prática política. O século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e contradições da realidade. Sob esse enfoque e a partir do texto, a ética pode ser compreendida como instrumento de garantia da cidadania, porque através dela os cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores coletivos.

Aristóteles é o criador da disciplina filosófica da Ética. Diferente de seu mestre Platão que muito se preocupou com o conhecimento inteligível, Aristóteles procurou entender o mundo sensível, o mundo em que vivemos. Em sua Ética ele preocupa-se, acima de tudo, com o bem humano. Esse bem, segundo ele, é determinado por dois fatores: 1) Um fator bastante constante, a natureza humana, que se constitui de uma série de elementos corporais ligados a uma forma dinâmica por ele chamada de alma (psyché, donde se origina o adjetivo psíquico). 2) Um segundo fator variável, o conjunto de circunstâncias concretas, chamadas pelos gregos de ocasião. Para Aristóteles, enquanto a política tem como finalidade o bem coletivo a ética tem por finalidade o bem pessoal. A Ética é uma ciência muito pouco exata, uma vez que se ocupa de assuntos passíveis de modificação. A ética se dá na relação com o outro. Para determinar o bem que caracteriza a atividade própria dos humanos Aristóteles analisa as distintas funções do composto humano. A primeira delas é a vida. Mas a vida é comum aos homens, aos animais e as plantas. A segunda função é sentir. Mas sentir é comum aos humanos e aos animais. A terceira função é a razão. E esta é que distingue os seres humanos de todos os viventes inferiores. Portanto, a razão é a principal característica do ser humano. E sua principal atividade deve consistir em viver conforme a razão. A razão deve dirigir e regular todos os atos humanos. E nisso consiste essencialmente a vida virtuosa. E, para o filósofo, o fim último de uma vida virtuosa é ser feliz. Portanto, a felicidade tem que ser o correto desempenho do que lhes é próprio: o uso correto da razão.

Acerca dos princípios que constituem a ética aristotélica podemos ressaltar muitos pontos importantes como:
- a amizade perfeita é aquela em que os homens que são bons e afins na virtude, pois esses desejam igualmente bem um ao outro enquanto bons, e são bons em si mesmos. A amizade deve ter um caráter duradouro porque existe uma relação de identidade no reconhecimento do exercício de atividades que devem ser consideradas como socialmente boas. 
- a felicidade é o bem supremo do homem. Todo ser humano busca ser feliz.
- O homem só é feliz quando se realiza naquilo para e pelo o qual ele foi feito.
- A amizade verdadeira somente pode ser sentida em relação a poucas pessoas.

Conceitos trabalhados no bimestre
Cidadania: é um conjunto de direitos e deveres que nos permite participar das decisões da sociedade em que vivemos. Ela é construída no nosso dia-a-dia, a partir da nossa capacidade de participação social e colaboração para o bem comum.

Constituição: também chamada de lei fundamental, lei suprema, lei das leis, lei maior ou magna carta; é um conjunto de normas de governo, define a política fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e direitos, de um governo. Ao limitar o alcance do próprio governo, ela garante certos direitos para as pessoas.

Corrupção: É o crime de desviar recurso público, que é praticado por pessoas mal intencionadas. Essas pessoas se aproveitam da chance que têm de utilizar o dinheiro público para gastar com coisas para si, para seus amigos ou seus parentes, em vez de utilizar para o bem comum.

Democracia: É uma forma de governar na qual a população tem o poder de participar das decisões, elegendo seus representante, participando dos conselhos sociais, caracterizando um governo do povo.

Lei: são regras criadas pelo Poder Legislativo (representantes do povo), que permitem, proíbem ou obrigam uma determinada conduta, a qual toda sociedade deve obedecer.

Partido Político: é um grupo organizado de acordo com a lei, com pessoas que compartilham um mesmo ideal político. Esse grupo tem o objetivo de atuar na vida política de um país, representando interesses de grupos sociais e disputando os votos para os cargos públicos.

Poder Executivo: a esse poder teria como função observar as demandas da esfera pública e garantir os meios cabíveis para que as necessidades da coletividade sejam atendidas no interior daquilo que é determinado pela lei. Dessa forma, mesmo tendo várias atribuições administrativas em seu bojo, os membros de tal poder não podem extrapolar o limite das leis criadas.

Poder Judiciário: a esse poder tem por função julgar, com base nos princípios legais, de que forma uma questão ou problema sejam resolvidos. Na figura dos juízes, promotores e advogados, tal poder garante que as questões concretas do cotidiano sejam resolvidas à luz da lei. Cabe, também, a esse poder definir os limites entre o lícito e o ilícito.

Poder Legislativo: a esse poder cabe a função de congregar os representantes políticos que estabelecem a criação de novas leis. Dessa forma, aos serem eleitos pelos cidadãos, os membros desse poder se tornam porta-vozes dos anseios e interesses da população como um todo. Além de tal tarefa, eles contam com dispositivos através dos quais poderiam fiscalizar o cumprimento das leis.

3º Ano – Texto Revisional para a Prova global - 3º Bimestre



Para quê estudar Filosofia Política?
De início, podemos dizer que é importante, no contexto atual, refletir sobre os valores, as regras sociais e políticas, os direitos, as liberdades e muitos outros conceitos que encontramos em nossa sociedade e no mundo em geral. A reflexão filosófica acerca da ‘política’ contribui para nossa educação enquanto cidadãos e nos fornece uma base para o exercício da cidadania. É preciso dizer que em Filosofia Política não se posicionar é nada fazer; ora, nada fazer é compactuar com o que está estabelecido – seja lá o que for. O Brasil necessita, urgentemente, politizar o jovem para a cidadania. Nossos jovens pouco se interessam por tal assunto.
Ao iniciar nossos estudos a cerca do tema, vale lembrar que um dos objetivos principais que regiam o pensamento de vários filósofos, teóricos e pensadores desde a antiguidade, sempre foi o de encontrar uma forma, um modelo de estado onde o poder não se centralizasse somente nas mãos de uma pessoa ou  de um pequeno grupo e/ou instituição. Por exemplo, a concepção de Três Poderes que temos hoje é gerada a partir do século XVII, após um árduo trabalho de análise social de pensadores ainda anteriores a este século e que com o iluminista Montesquieu, em 1748, vem a ser elaborada de maneira mais clara e definitiva. Todo estado tido como democrático ou não absolutista tem em sua estruturação a identificação dos poderes Executivo (prefeitos, governadores, presidentes...), Legislativo (vereadores, deputados estaduais e federais...) e Judiciário (juízes, desembargadores, promotores...).
Lembremos alguns pontos importantes sobre os filósofos trabalhados neste bimestre:

- Thomas Hobbes
O embate das ideias de dois pensadores basilares da tradição filosófica sobre a vida em sociedade se mostra fundamental na reflexão sobre os problemas sociais vividos na contemporaneidade. Polemizando como a tradicional tese aristotélica, que via na sociedade o resultado de um instinto primordial, Hobbes sustenta que no gênero humano, diferentemente do animal, não existe sociabilidade instintiva. Entre os indivíduos não existe um amor natural, mas somente uma explosiva mistura de temor e necessidade recíprocos que, se não fosse disciplinada pelo Estado, originaria uma incontrolável sucessão de violências e excessos. Para Hobbes somente a sociedade humana conhece a guerra e distingue interesse público de interesse privado. Tal filósofo explica a origem da sociedade e do Estado mediante a ideia de um pacto ou acordo entre os indivíduos para regulamentar o convívio social e garantir a paz e a segurança de todos.
- No estado de natureza, os indivíduos vivem isolados e em luta permanente, vigorando a guerra de todos contra todos ou "o homem lobo do homem". Nesse estado, reina o medo e, principalmente, o grande medo: o da morte violenta.
- Poder ou a soberania pertencem de modo absoluto ao Estado, que, por meio das instituições públicas, tem o poder para promulgar e aplicar as leis, definir e garantir a propriedade privada e exigir obediência incondicional dos governados, desde que respeite dois direitos naturais intransferíveis: o direito à vida e à paz, pois foi por eles que o soberano foi criado. O soberano detém a espada e a lei; os governados, a vida e a propriedade dos bens.
- O Estado é a unidade formada por uma multidão de indivíduos que  concordaram em transferir seu direito de governarem a si mesmos à pessoa ou à assembleia de pessoas que os represente e que possa assegurar a paz e o bem comum.
- Na obra Leviatã, para caracterizar o Estado, Thomas Hobbes utiliza a figura bíblica do Leviatã, um monstro cruel e invencível, que simboliza para Hobbes o poder do estado absoluto.
- Vale ressaltar que o Estado dispõe de poder absoluto. É legítimo o uso da força pelo soberano para constranger os súditos.

- John Locke
John Locke (1632-1704) escreve que: “Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto da sua própria pessoa e posses, igual ao maior e a ninguém sujeito, por que abrirá ele mão dessa liberdade, por que abandonará o seu império e sujeitar-se-á ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no estado de natureza tenha tal direito, a utilização do mesmo é muito incerta e está constantemente exposto à invasão de terceiros porque, sendo todos senhores tanto quanto ele, todo homem igual a ele e, na maior parte, pouco observadores da equidade e da justiça, o proveito da propriedade que possui nesse estado é muito inseguro e muito arriscado. Estas circunstâncias obrigam-no a abandonar uma condição que, embora livre, está cheia de temores e perigos constantes; e não é sem razão que procura de boa vontade juntar-se em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir-se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade.” Tal texto justifica a origem do governo que tem como objetivo a proteção à vida, aos bens e aos direitos e justifica as ideias do liberalismo, proposto por Locke.

- Jean Jacques Rousseau
O filósofo Jean-Jacques Rousseau foi uma figura paradoxal e contraditória. Apesar de abandonar todos os filhos em um orfanato foi um dos maiores teóricos da educação. As suas ideias “pedagógicas” encontram-se ligadas aos seus ideais políticos: “uma criança que cresce numa sociedade civilizada é ensinada a refrear os seus instintos naturais, a reprimir os seus verdadeiros sentimentos, a impor as categorias artificiais do pensamento conceitual sobre os seus sentimentos e a fingir que pensa e sente coisas que não sente nem pensa. Por conseguinte, a civilização é corruptora e castradora dos valores verdadeiros”. Assim, o que devemos fazer é “mudar a civilização de forma a possibilitar aos nossos instintos naturais uma expressão completa e livre”. Rousseau defendia mudanças fundamentais na educação para libertar o indivíduo das grilhetas da civilização. Suas ideias trouxeram grandes contribuições para a questão da educação, tais como:
- Foi contra o elitismo na educação, segundo ele, educação é um direito de todos.
- Para ele a educação da criança deveria ser lúdica, interativa e progressiva.
- Foi o primeiro a entender a infância como forma particular de ser humano, e contra a ideia de ver a criança como um “miniadulto”.
- Foi a contra a rigidez, hierarquização e memorização na educação. Práticas muito comuns principalmente no método educacional dos Jesuítas, que ele tanto repudiava.
No âmbito da política, Rousseau, contrariando Hobbes e outros filósofos, defendeu a ideia de que a condição do homem em seu estado natural é de bondade, espontaneidade e liberdade. Pois, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe.

Analisando os conceitos trabalhados
Aletheia: para os antigos gregos, designava verdade e realidade, simultaneamente.
Deísmo: é uma postura filosófica que admite a existência de um Deus criador, mas não nega a realidade de um mundo completamente regido pelas leis naturais e científicas.
Ethos: essa palavra tem origem grega e significa valores, hábitos e harmonia. É o "conjunto de hábitos e ações que visam o bem comum de determinada comunidade". Ainda mais especificamente, tal palavra significava para os gregos antigos a morada do homem, isto é, a natureza.
Kratos: significava, e ainda significa no grego moderno, força – poder – domínio – vigor – vitória – solidez.
Logos: no grego, significava inicialmente a palavra escrita ou falada - o Verbo. Mas a partir de filósofos gregos como Heráclito passou a ter um significado mais amplo. Passa a ser um conceito filosófico traduzido como razão.
Panteísmo: é a crença de que o Universo ou a natureza e Deus são idênticos. Sendo assim, os adeptos dessa posição não acreditam num deus pessoal, antropomórfico ou criador. Embora existam divergências dentro dessa corrente, as ideias centrais dizem que deus é encontrado em todo o Cosmos como uma unidade abrangente. Tal crença tende a divinizar os elementos da natureza, referindo-se à própria natureza por deus.
Phatos: é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento.
Religião: é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seu próprios valores morais.
Seita: de forma geral é um conceito complexo utilizado para designar, em princípio, simplesmente qualquer doutrina, ideologia, sistema filosófico ou político que divirja da correspondente doutrina ou sistema dominante nacional. E que dessa forma provoque ruptura no nacionalismo existente. Bem como também para designar o próprio conjunto de pessoas (o grupo organizado ou movimento aderente a tal doutrina, ideologia, etc...) que se choca diretamente, à comunidade que se insere e/ou sistema que incorpore tudo isso, os quais, conquanto divergentes da opinião geral, apresentam significância social.
Teísmo: é uma crença na existência de deuses, seja um ou mais de um, no caso de mais de um, pode existir um supremo. Não é religião, pois não se trata de um sistema de costumes, rituais e não possui sacerdotes ou uma instituição. É apenas o nome para classificar a opinião segundo a qual existe ou existem deuses.

Ética e Moral



Atualmente virou moda falar sobre ética. Fala-se sobre ética na política, ética no esporte, ética nas profissões e ética nas relações sociais, etc. Fala-se tanto, a ponto de banalizarem seus conceitos. Muitas pessoas sem formação adequada, acabam por deturpar ou ensinar de forma errônea tal assunto. Será que as pessoas realmente sabem o significado desse conceito tão essencial e tão complexo? Por isso vale a pena procurar entendê-lo.

Antes de aprofundar no significado e aplicação da ética, vale refletir que conviver nunca foi uma tarefa fácil. Pessoas diferentes, com temperamentos distintos vivendo em um mesmo lugar não é algo simples. Por isso o ser humano sente a necessidade de regras, estas servem para regular nossa convivência e separar o que é público do que é privado/individual. As comunidades humanas criaram as LEIS e o desrespeito ou o não cumprimento delas geram punições por parte do Estado. Porém, nossa convivência não é apenas regulada pelas LEIS, há, também, regras que definem ao grupo como se portar, o que é certo e errado, o que é público e o que diz respeito ao privado. Essas regras nós chamamos de Ética, e muito ligado a ela, também está a Moral.


Para muitos ética e moral se confundem ou são apenas traduções diferentes de um único conceito de origem grega. Porém, outros diferenciam claramente ética de moral.
A palavra ética vem do grego ETHOS, tal palavra significava morada, costumes, hábitos, e tudo aquilo que, direta ou indiretamente, estão ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida.
A palavra ETHOS foi traduzido para o latim mos, mores, daí surge a palavra Moral. Para muitos na filosofia, ao passar para o latim a palavra Moral não conseguiu abarcar todos os conceitos da palavra ETHOS, pois ela traduz apenas o significado de costume, hábito e morada. A partir daí temos os dois conceitos sendo diferenciados. Em outras palavras podemos também dizes: “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

De uma forma geral, podemos dizer que:

Ética: são valores e princípios morais de uma sociedade e seus grupos. Busca fundamentar as ações morais exclusivamente pela razão. Vale lembrar que cada sociedade e casa grupo possuem seus próprios códigos de ética. Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

Pode-se dizer também que a Ética são valores que definem o que:
• Quero
• Posso
• Devo
Porque nem tudo que eu quero eu posso,
Nem tudo que eu posso eu devo e
Nem tudo que eu devo eu quero!

Antiético poderia ser definido como aqueles atos ou pessoas que fazem coisas que não são benéficas ao grupo, à sociedade.

Moral: conjunto de valores, normas e de noções do que é certo ou errado. São regras de comportamento que são consideradas corretas pela sociedade. Se fundamenta na obediência a costumes e hábitos recebidos. Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.

Tudo o que uma pessoa fizer e que está de acordo com o que é considerado correto pela sociedade é moral. Exemplo: Devolver ao dono objetos de valor encontrado é moral
O imoral é o contrário do que é moral. Exemplo: Aproveitar da falta de discernimento da criança para lograr vantagem.

A ética e a moral também não devem ser confundidas com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas pela ética, por isso ela é tão necessária.

A Ética pode ser um conjunto de regras, princípios ou maneiras de pensar que guiam, ou chamam a si a autoridade de guiar, as ações de um grupo em particular (Moral/Moralidade), ou é o estudo sistemático da argumentação sobre como nós devemos agir (filosofia moral).

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.

Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas. Mas a função fundamental é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.

A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitas, voluntariamente.

Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.

Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apoia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade.

O vídeo abaixo pode ajudar a clarear um pouco mais sobre o assunto:

(Vídeo amador)

2º Ano - Correção do Bloco de Atividades do 3º Bimestre


BLOCO DE ATIVIDADES - (1ª PARTE)

QUESTÃO 01
Sobre a expressão cultural da filosofia no Ocidente, é INCORRETO afirmar que 

(A) a atividade filosófica, enquanto abordagem racional, surge no contexto cultural grego, expressando-se inicialmente como tentativa de explicar a realidade do mundo sem recorrer à mitologia e à religião.
(B) a filosofia nasce na Grécia, no século V a.C., com os filósofos pré-socráticos, procurando encontrar o princípio do universo. Alguns vão explicar o mundo, apelando para uma arché, ou seja, o elemento constitutivo básico do qual a totalidade do universo seria constituída. 
(C) Sócrates, Platão e Aristóteles são os pensadores clássicos da Grécia dos séculos V e IV a.C. e que constituíram a filosofia como metafísica, fornecendo os alicerces de toda a tradição filosófica do Ocidente.
(D) é no contexto helenístico, universalizado pela ação político-administrativa dos romanos, que a filosofia grega vai se encontrar com o cristianismo. Desde o início da era cristã, pensadores ligados à nova religião estudaram o pensamento dos gregos e estabeleceram relações com ele, incorporando alguns elementos e rejeitando outros.
(E) o projeto iluminista da filosofia, conduzido sob o mais exigente racionalismo, iniciou-se por duas grandes vias. De um lado, praticando-se uma filosofia acrítica, encarregada de superar a metafísica no plano teórico; de outro, criando uma nova forma de conhecimento, a religião, que substituiria o saber das essências pelo saber dos fenômenos. 

Justifique sua resposta: A alternativa E está incorreta, pois, no projeto iluminista da filosofia não se praticava uma filosofia “acrítica”, muito pelo contrário, e muito menos criando como nova forma de conhecimento a religião.

QUESTÃO 02
Platão, Aristóteles e os sofistas desenvolveram concepções distintas acerca da política, é INCORRETO afirmar que: 

(A) a alma do indivíduo está ligada à vida política e social, para Platão.
 
(B) a política tem origem no instinto social do homem, segundo Aristóteles. 
(C) as convenções entre os homens fundam a comunidade política, de acordo com os sofistas. 
(D) a tirania e o despotismo, segundo Aristóteles, não pertencem à modalidade da política, cujo fim é a felicidade comum.
(E) a justiça na polis é entendida por Platão como a distribuição igualitária de direitos políticos a todos os cidadãos. 

Justifique sua resposta: Platão não defende a distribuição igualitária de direitos políticos na polis, pelo contrário, Platão defende que apenas um grupo deveria governar: os filósofos, os sábios.

QUESTÃO 03
Felicidade é o tema do Livro I da "Ética a Nicômaco", de Aristóteles. Segundo o filósofo, a felicidade é um bem supremo para o qual todas as ações dos homens tendem; a felicidade é a causa final do ser humano. Porém, ela é atingida quando está de acordo com a atividade racional que o conduzirá para a prática da virtude. Para Aristóteles, a virtude consiste na: 

(A) prática do amor. 
(B) relação de amizade. 
(C) vontade obsessiva. 
(D) sensação de prazer. 
(E) justa medida de equilíbrio. 

QUESTÃO 04
A felicidade, para Aristóteles, não corresponde à busca de riquezas, de honrarias, pois estas são apenas "meios". É, antes, fruto da busca do bem perfeito, desejado por si mesmo e não como meio, que torna o ser humano "autossuficiente". A palavra "felicidade" como meio para alcançar o Fim que desejamos por si mesmo é traduzida na filosofia aristotélica por: 

(A) Eudaimonia. 
(B) Experdise. 
(C) Eugenia. 
(D) Maiêutica. 
(E) Todas as alternativas anteriores.

QUESTÃO 05
Em sua Ética a Nicômaco, Aristóteles nos coloca frente ao seu pensamento ético. Não retrata tal pensamento:

(A) a virtude encontra-se no desligamento das realidades sensíveis.        
(B) a virtude encontra-se na justa medida das coisas. 
(C) a virtude pode ser atingida pelos homens que demonstrem prudência. 
(D) a prática da virtude conduz à felicidade. 
(E) a virtude conduz à uma vida tranquila.

Justificativa: diferente de seu mestre Platão, Aristóteles em momento algum defende um desligamento das realidades sensíveis. A virtude, dentre outros aspectos, para o filósofo, encontra-se na mediania.

QUESTÃO 06
Acerca dos princípios que constituem a ética aristotélica, é CORRETO: 

(A) Na Ética a Nicômaco, Aristóteles dedica vários capítulos (especialmente os livros VIII e IX) à descrição e elucidação do ethos como forma privilegiada de manifestação da disposição do caráter humano, em que a felicidade aparece como sinônimo de riqueza material e hedonismo.
(B) Para Aristóteles, a disposição ética da amizade que tem mais importância é aquela que está fundada no interesse, isso porque as pessoas procuram constituir uma relação alicerçada na propriedade privada. 
(C) Aristóteles considera a amizade sustentada no prazer, com a pessoa que se ama, como uma coisa agradável e condição indispensável para alcançar a felicidade verdadeira no mundo. 
(D) A consideração aristotélica acerca da amizade estava em antinomia com seu tempo histórico, em que o homem havia deixado de ser considerado como um ser inserido em sua comunidade social. 
(E) A amizade perfeita é aquela em que os homens que são bons e afins na virtude, pois esses desejam igualmente bem um ao outro enquanto bons, e são bons em si mesmos. A amizade deve ter um caráter duradouro porque existe uma relação de identidade no reconhecimento do exercício de atividades que devem ser consideradas como socialmente boas. 

QUESTÃO 07
Leia as afirmações abaixo sobre o tema A Ética Aristotélica. 

I. Aristóteles sustentou que haveria três formas de felicidade. A primeira seria uma vida de prazer e divertimentos; a segunda estaria em uma vida como cidadão livre e responsável e, a terceira, em uma vida como pensador e filósofo. Enfatizou ainda que estes seriam três critérios distintos, sendo a felicidade resultado da adoção de exclusiva de um ou outro. 

II. No que se refere às relações humanas, Aristóteles advogava que não deveríamos ser covardes, mas corajosos, não miseráveis ou extravagantes, mas liberais. 

III. Aristóteles defendia que o homem somente será feliz usando todas as suas habilidades e capacidades. 

A alternativa que contempla a única informação adequada sobre o tema é: 

(A) I, II e III são verdadeiras; 
(B) Somente I é verdadeira; 
(C) Somente I e II são verdadeiras; 
(D) Somente I e III são verdadeiras; 
(E) Somente II e III são verdadeiras; 

Justificativa: Sobre a Ética, realmente Aristóteles pregava a moderação para que se pudesse ter uma vida equilibrada e harmônica. Achava que a felicidade real era a integração de três fatores: prazer, ser cidadão livre e responsável e viver como pesquisador e filósofo. Porém, nunca enfatizou que estes seriam três critérios distintos, sendo a felicidade a adoção de um ou de outro. Essas três formas de felicidade deveriam estar presentes simultaneamente, para que o homem pudesse encontrar felicidade e plenitude. Ele rejeitava todas as formas de desequilíbrio. O mesmo se aplicaria às relações humanas, nas quais Aristóteles defendia o “justo meio-termo”. 

QUESTÃO 08
A Escola de Atenas, pintura renascentista de Rafael de Sanzio, retrata um dos maiores conflitos filosóficos de todas as épocas. No meio da tela estão Platão, apontando para cima, e Aristóteles, com a mão espalmada para baixo. A obra indica o conflito entre: 

(A) o céu e o inferno. 
(B) o divino e o mundano. 
(C) o intangível e o tangível. 
(D) a virtude (no alto) e o vício (no chão). 
(E) o conhecimento inteligível e o sensível.

Justifique sua resposta: Enquanto Platão busca a verdade em um mundo das ideias, Aristóteles a procura no plano do contato prático e perceptivo com a realidade. Platão busca a verdade em um mundo transcendente (o mundo das ideias, distinto do mundo sensível) e Aristóteles a procura em uma ordem imanente ao mundo percebido, isto é, no mesmo plano em que desenvolvemos nosso contato prático e perceptivo com a realidade.


QUESTÃO 09
O livro VI da Ética a Nicômaco, de Aristóteles (384-322 a. C.) é dedicado às virtudes intelectuais, dentre as quais se destaca a sabedoria prática. Sobre a comparação desta com a arte é correto dizer que:

(A) Assim como produzir (arte) tem fim na coisa produzida, o agir (sabedoria prática) tem fim para além de si mesmo. 
B) Agir (sabedoria prática) e produzir (arte) são distintos resultados de uma capacidade não raciocinada (imediata, impulsiva) do homem. 
(C) O que as distingue é que a arte é uma capacidade não raciocinada (de produzir), enquanto a sabedoria prática é uma capacidade raciocinada (de agir). 
(D) Ambas envolvem o reto raciocínio e, assim, do mesmo modo que a origem das ações (da sabedoria prática) está no homem, também o está a origem dos produtos da arte. 
(E) A arte e a sabedoria prática têm em comum o fato de seus objetos serem o necessário (o invariável), pois são necessárias tanto as coisas produzidas (pela arte) quanto as coisas praticadas (pela sabedoria prática). 

QUESTÃO 10
"Com efeito, ao falar do caráter de um homem não dizemos que ele é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, referindo-nos ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor chamamos virtudes." (Aristóteles, Ethica Nicomacheia, 1103b 11). 

Das alternativas abaixo, NÃO correspondem à doutrina aristotélica da virtude: 

(A) Como hábitos, as virtudes são modos constantes de agir que se adquirem pelo exercício, não sendo, assim, inatas.
(B) Sendo a política superior à ética, é em A Política de Aristóteles que encontraremos a síntese das virtudes que constituem a arete, "a virtude ou excelência ética". 
(C) As virtudes intelectuais ou dianoéticas operam na parte racional do homem, isto é, na razão. 
(D) As virtudes práticas ou éticas operam na parte irracional do homem, nas suas paixões ou apetites, guiadas racionalmente.
(E) A virtude se define como meio termo ou justa medida entre os extremos da falta e do excesso, sendo a virtude da coragem o justo meio entre os extremos da temeridade e da covardia. 

Justifique sua resposta: Para o filósofo, a ética e a política estão no campo da deliberação e deliberar bem é saber decidir, a virtude representa o “meio termo”, a justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer. Uma não é superior a outra, mas sim, se integram e se completam. A política é uma continuidade da Ética.

QUESTÃO 11
Para Aristóteles, a lógica não era uma ciência teorética, nem prática ou produtiva, mas um instrumento para as ciências. Desta forma, conclui-se que o objeto da lógica é:

(A) O raciocínio. 
(B) O juízo. 
(C) A proposição. 
(D) O silogismo. 
(E) Nenhuma das alternativas anteriores. 

Justifique sua resposta: O objeto da lógica é a proposição, que exprime, através da linguagem, os juízos formulados pelo pensamento. A proposição é a atribuição de um predicado a um sujeito: S é P. O encadeamento dos juízos constitui o raciocínio e este se exprime logicamente através da conexão de proposições; essa conexão chama-se silogismo. A lógica estuda os elementos que constituem uma proposição (as categorias), os tipos de proposições e de silogismos e os princípios necessários a que toda proposição e todo silogismo devem obedecer para serem verdadeiros (princípio da identidade, da não-contradição e do terceiro excluído).
QUESTÃO 12
O texto aristotélico da Política teve uma grande influência no desenvolvimento da ciência política em nossa tradição e faz parte de um conjunto de estudos que inclui o exame de um grande número de constituições das cidades estados gregas da época, das quais só chegou até nós A Constituição de Atenas.
A passagem selecionada a seguir contém parte da definição aristotélica do homem como "animal político" (zoon politikón). Propositalmente, algumas expressões e/ou palavras foram retiradas do texto - substituídas por pontilhados - e reunidas integralmente em uma única alternativa. Após a leitura do texto marque aquela opção que melhor preenche as lacunas respectivamente.

"Aquele que é naturalmente um marginal ama a guerra e pode ser comparado a uma peça fora do jogo. Daí a evidência de que o homem é um animal político mais ainda que as abelhas ou que qualquer outro animal gregário. Como dizemos frequentemente, a natureza não faz nada em vão; ora, o homem é o único entre os animais a ter ___________. (...) Trata-se de uma característica do homem ser ele o único que tem o senso do bom e do mau, ___________, bem como de outras noções deste tipo. É a associação dos que têm em comum essas noções que constitui __________ e o Estado". 

(A) Linguagem - do justo e do injusto - a família; 
(B) Família - do bom e do ruim - a comunidade; 
(C) Sociedade - do útil e do inútil - a sociedade; 
(D) Simbologia - do certo e do errado - a nação; 
(E) Cultura - da virtude e do malefício - o território; 

QUESTÃO 13
Aristóteles, amigo de Platão, mas, como ele mesmo diz, mais amigo da verdade, desenvolve, por sua vez, o método da dialética de uma forma que o faz mudar de aspecto. Aristóteles atenta:

(A) Para as leis do silogismo, suas formas, suas figuras, são, pois, o desenvolvimento que Aristóteles faz da dialética.
(B) Para o emprego do mito da "reminiscência", em que o filósofo narra o conto seguinte: As almas humanas, antes de viverem neste mundo e se alojarem cada uma delas num corpo de homem, viveram em outro mundo, viveram no mundo onde não há homens, nem coisas sólidas.
(C) Para a análise, o método que conduz à intuição, e, a partir deste momento, em toda a filosofia, acentua-se constantemente este instrumento da intuição. 
(D) Para a maiêutica, o método que desperta a sua curiosidade e estimula-o a refletir. A sua função de libertação do espírito. 
(E) Para a dialética, a transcendência e imanência. Dá ensejo às conclusões firmes do pensamento filosófico. 

QUESTÃO 14
Aristóteles no início da Metafísica diz "Todos os homens tendem por natureza a saber". E Aristóteles logo acrescenta que o sinal disso é o gosto que temos pelas sensações, sobretudo pela visão; e distingue o uso que fazemos delas por sua utilidade de fazer algo, do gosto que também temos quando não vamos fazer nada. Mas estas sensações, que supõem um ínfimo saber, não são privativas do homem; também os animais as têm; e alguns deles, até memória, que pela permanência da recordação, permite aprender. 
O homem, em contrapartida, tem outros modos superiores de saber, que são: 

(A) a ética e a economia. 
(B) a maiêutica e a ética. 
(C) a retórica e a metafísica. 
(D) a teoria e a especulação. 
(E) a experiência e a arte ou técnica. 

Justificativa: A experiência, arte ou técnica podem ser ensinadas por aqueles que as dominam, que, de modo geral, podem ser considerados superiores àqueles que têm apenas a prática, porque não só  sabem fazer, mas sabem o que fazem e por que o fazem daquele modo.

QUESTÃO 15
 Para Marilena Chauí:
"Do ponto de vista da Filosofia, podemos falar em dois grandes momentos de teorização da arte. No primeiro, inaugurado por Platão e Aristóteles, a Filosofia trata as artes sob a forma da poética; no segundo, a partir do século XVIII, sob a forma da estética."

(CHAUÍ, Marilena. Convite a Filosofia. 7.ed. São Paulo: Ática, 2001, p. 321).

A partir do enunciado em questão é INCORRETO afirmar que: 

(A) O termo arte poética deriva de uma obra de Aristóteles sobre as artes da fala e da escrita, do canto e da dança.
(B) A arte poética se preocupa com as obras de arte como fabricação de seres e gestos artificiais, ou seja, elaborados pelos seres humanos. 
(C) O termo estética vem do grego aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência, sensibilidade. Em sua acepção original, referia-se ao estudo das obras de arte enquanto criações da sensibilidade, tendo como fim o belo.
(D) Após seu surgimento, o termo estética vai substituindo a ideia de arte poética passando a se referir a toda investigação filosófica que tenha por objeto as artes.
(E) Para a Estética, a arte é produto da racionalidade e da formulação lógica do artista e que, dessa forma, o belo é igual ao verdadeiro. 

Justifique sua resposta: Para a Estética a arte é produto da atividade humana que expressa o espiritual, o divino, para o homem, aos seus sentidos, a arte é a expressão da livre racionalidade humana ela apresenta limitações diante de outras formas de manifestação do espírito na história.

QUESTÃO 16
Em 322, após a morte de Alexandre Magno, o sucessor deste decide expulsar de Samos todos os colonos atenienses, entre os quais a família inteira de Epicuro. Os historiadores da cultura convencionaram designar Helenismo as atividades culturais desenvolvidas no período transcorrido entre a morte de Alexandre Magno, em 323 a.C., e o fim da república romana, em 31 a.C., quando Augusto (vencedor da batalha de Actium, em 27 a.C.) se torna imperador de Roma. A designação referese à presença dominante da língua e da cultura gregas em todo o mundo conhecido, numa difusão sem precedentes cuja causa inicial foi a convicção de Alexandre, aluno de Aristóteles, de que por seu intermédio a Grécia devia cumprir uma missão civilizatória sobre todos os povos da terra. A língua grega transformou-se na koiné, dialeto comum em todas as terras conquistadas por Alexandre, e Alexandria, no Egito, tornou-se a capital cultural da Antiguidade, papel que conservou mesmo quando Roma ocupou o lugar de centro político e econômico de um império que se estendia do Próximo Oriente ao Sul da Europa, do Mediterrâneo ao Atlântico. Embora o termo Helenismo pareça indicar apenas a hegemonia da cultura grega, na realidade, exprime a comunicação intensa entre as criações culturais helênicas e as orientais enquanto submetidas a um mesmo e único poder central, ligadas por rotas comerciais e tendo como ponto de encontro Alexandria e, mais tarde, Roma. Muitos preferem usar a expressão alexandrinismo para acentuar o papel que a dinastia dos Ptolomeus conferiu a Alexandria como centro de confluência da cultura grega e da oriental, com a criação do Museu e da Biblioteca, espaços destinados às atividades do conhecimento e das artes. 

No caso da história da filosofia, fala-se em período helenístico para designar os três grandes sistemas filosóficos predominantes nessa época. São eles: 

(A) Ceticismo, epicurismo e estoicismo. 
(B) Epicurismo, neoplatonismo e patrística. 
(C) Neoplatonismo, ceticismo e patrística. 
(D) Escolástica e epicurismo. 
(E) Ceticismo e escolástica. 

QUESTÃO 17
Surge a figura do jardim: o homem sairia da turbulência da polis e iria ao jardim com os seus amigos. Ele não se isolaria, mas se reuniria com os seus amigos, apoiado num esforço de grupo, na busca do autoconhecimento. Propõe a substituição da polis com seu antagonismo, pelo jardim com a sua amizade, onde todos procurariam a sabedoria. Analise as proposições a seguir partindo da proposta fundamental de Epicuro, como CERTAS ou ERRADAS.

I - O autoconhecimento. 
II - O apoio à razão. 
III - A recusa ao obscurantismo, crendices. 
IV - Os homens seriam explicáveis racionalmente. Já os deuses seriam serenos porque estariam distantes dos homens assim como estes no jardim se distanciariam da polis para encontrarem a felicidade. 
V - Os deuses não fazem a libertação do homem, mas o é o homem, que, no jardim, se afastaria da turbulência da polis para encontrar a felicidade. 

Assim, pode-se concluir que: 
(A) Somente as proposições I, III e V estão certas. 
(B) Somente as proposições I, II e IV estão certas. 
(C) Somente as proposições III, IV e V estão certas. 
(D) Todas as proposições estão erradas. 
(E) Todas as proposições estão certas. 

QUESTÃO 18
Leia o trecho da Carta a Meneceu. 
"Nenhum jovem deve demorar a filosofar, e nenhum velho deve parar de filosofar, pois nunca é cedo demais nem tarde demais para a saúde da alma. Afirmar que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou é a mesma coisa que dizer que a hora ainda não chegou ou já passou; devemos, portanto, filosofar na juventude e na velhice para que enquanto envelhecemos continuemos a ser jovens nas boas coisas mediante a agradável recordação do passado, e para que ainda jovens sejamos ao mesmo tempo velhos, graças ao destemor diante do porvir. Devemos então meditar sobre tudo..."
(Epicuro Carta de Epicuro a Menoiceus).
Para Epicuro, como se expressa na Carta a Meneceu, o objetivo da filosofia é: 

(A) A felicidade do homem. 
(B) A imparcialidade diante das decisões tomadas pelos homens. 
(C) A areté própria do homem. 
(D) O gozo imoderado dos prazeres mundanos. 
(E) Estabelecer, refutar e defender argumentos tirados da bíblia. 

Justifique sua resposta: Epicuro acreditava que a filosofia é o melhor caminho para se chegar à felicidade que para ele significava se libertar dos desejos. A filosofia é um instrumento para alcançar a felicidade pois através dela o homem vai libertar-se do desejo que o incomoda. A filosofia com Epicuro passa a ter uma finalidade prática e não somente o objetivo de investigação dos fundamentos últimos do mundo e do homem.

QUESTÃO 19
A liberdade, para Epicuro, seria sempre o desvio de uma fatalidade, apesar do mecanismo do mundo. O homem não estaria à mercê do mundo e, por isto, poderia estabelecer a sua rota, a sua meta. Segundo essa forma de pensar, pode-se afirmar que o mesmo introduz a dimensão: 

(A) Da physis. 
(B) Do dever-ser. 
(C) Do devir. 
(D) Da verdade. 
(E) Da percepção dualista da alma. 

QUESTÃO 20
Das três grandes escolas pós-aristotélicas, a estoica foi de longe, do ponto de vista histórico, a mais importante. Qual dos filósofos abaixo é reconhecidamente o fundador do Estoicismo? 
(A) Zenão de Citium. 
(B) Epicuro de Samos. 
(D) Cleanto de Assos. 
(C) Diógenes de Selêucia. 
(E) Crisipo de Soli.

QUESTÃO 21
Analise os conceitos abaixo acerca do tema POLÍTICA e enumere a coluna seguinte de acordo com o conceito correto.

1- Constituição
2- Poder Executivo
3- Poder Legislativo
4- Poder Judiciário
5- Cidadania
6- Corrupção
7- Democracia
8- Lei
9- Partido Político

(5) É um conjunto de direitos e deveres que nos permite participar das decisões da sociedade em que vivemos. Ela é construída no nosso dia-a-dia, a partir da nossa capacidade de participação social e colaboração para o bem comum.
(9) É um grupo organizado de acordo com a lei, com pessoas que compartilham um mesmo ideal político. Esse grupo tem o objetivo de atuar na vida política de um país, representando interesses de grupos sociais e disputando os votos para os cargos públicos.
(4) A esse poder tem por função julgar, com base nos princípios legais, de que forma uma questão ou problema sejam resolvidos. Na figura dos juízes, promotores e advogados, tal poder garante que as questões concretas do cotidiano sejam resolvidas à luz da lei. Cabe, também, a esse poder definir os limites entre o lícito e o ilícito.
(1) Também chamada de lei fundamental, lei suprema, lei das leis, lei maior ou magna carta; é um conjunto de normas de governo, define a política fundamental, princípios políticos, e estabelece a estrutura, procedimentos, poderes e direitos, de um governo. Ao limitar o alcance do próprio governo, ela garante certos direitos para as pessoas.
(8) São regras criadas pelo Poder Legislativo (representantes do povo), que permitem, proíbem ou obrigam uma determinada conduta, a qual toda sociedade deve obedecer.
(2) A esse poder teria como função observar as demandas da esfera pública e garantir os meios cabíveis para que as necessidades da coletividade sejam atendidas no interior daquilo que é determinado pela lei. Dessa forma, mesmo tendo várias atribuições administrativas em seu bojo, os membros de tal poder não podem extrapolar o limite das leis criadas.
(3) A esse poder cabe a função de congregar os representantes políticos que estabelecem a criação de novas leis. Dessa forma, aos serem eleitos pelos cidadãos, os membros desse poder se tornam porta-vozes dos anseios e interesses da população como um todo. Além de tal tarefa, eles contam com dispositivos através dos quais poderiam fiscalizar o cumprimento das leis.
(7) É uma forma de governar na qual a população tem o poder de participar das decisões, elegendo seus representante, participando dos conselhos sociais, caracterizando um governo do povo.
(6) É o crime de desviar recurso público, que é praticado por pessoas mal intencionadas. Essas pessoas se aproveitam da chance que têm de utilizar o dinheiro público para gastar com coisas para si, para seus amigos ou seus parentes, em vez de utilizar para o bem comum.

QUESTÃO 22
Muitos filósofos tiveram opiniões distintas para definir um conceito humano muito complexo: o Amor. Analise as definições desse conceito abaixo e marque qual foi o filósofo que cunhou tal definição:

1- Empédocles
2- Platão
3- Santo Agostinho
4- Baruc Espinoza
5- Schopenhauer

(5) Tal filósofo tem uma visão totalmente pessimista sobre o amor, para ele o amor romântico é uma invenção cristã. Baseado na convicção de que o único motor de toda a realidade é uma vontade cega, absurda e irracional de viver que impulsiona todo o universo e cada ser vivo a desejar algo que, tão logo é obtido, torna-se motivo de insatisfação. Ele tentou definir o amor como a manifestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Assim o amor é poderoso e sabe enganar o ser humano, consegue iludi-lo, prometendo-lhe uma felicidade que jamais poderá se realizar.
(2) Tal filósofo concebeu o Amor como algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O Amor não se fundamenta num interesse (mesmo o sexual), mas na virtude.
(1) Esse foi o primeiro filósofo que utilizou a ideia de amor em sentido cósmico metafísico, ao considerar o amor e a luta como princípios de união e separação, respectivamente, dos elementos que constituem o universo.
(4) Para esse filósofo o amor verdadeiro é o intelectual e este gera alegria, o amor é o pleno conhecimento da verdade que faz o ser humano totalmente feliz.
(3) Para ele, o amor é o nexo que une as Pessoas divinas. Somente o amor é capaz de explicar a vida da alma e a sua possibilidade de se elevar ao conhecimento unitivo de Deus. 

QUESTÃO 23
Qual a visão de Sócrates sobre a questão da autoconfiança?

Sócrates acreditava que nem sempre o consenso é a opinião correta e que para termos uma opinião forte e precisa devemos expor nossos argumentos a testes até que não exista como serem refutados, só assim estaremos com a verdade. as pessoas devem ter mais confianças em si e no que pensam para poderem ter pontos de vista forte e não seguir a multidão. Para fundamentar seu ponto de vista Sócrates não se alçava e tomava poucos banhos, pois esta era sua crença e não compartilhava das crenças da maioria quanto a higiene e vestimentas. Então eu hoje venho com essa parte muito simplória da filosofia de um grande pensador para dizer a todos, reflitam antes de falar, e submetam suas opiniões ao crivo de reflexões e questionamentos para descobrir a verdade. Eu mesmo sou um dos que gosta de falar um monte de opiniões flácidas e sem sustento, mas vou ser o primeiro a tentar me impor este pensamento socrático para melhorar meus argumentos.

QUESTÃO 24
Qual a visão de Epicuro sobre a questão da Felicidade

Em sua ética Epicuro aponta a felicidade como sendo diretamente ligada ao prazer. O prazer é o início e o fim de uma vida feliz. O homem é inclinado a buscar o prazer e a fugir da dor e através do critério do prazer é que nós avaliamos todas as outras coisas. Existem para ele duas formas de prazer, o primeiro é o prazer estável que é a ausência da dor e da perturbação, o que ele chama de ataraxia e aponia, nessa forma de prazer o homem não sofre e mantêm-se em paz podendo atingir a felicidade. Na segunda forma de prazer, que é a da alegria e a do gozo, o homem pode tornar-se escravo do prazer e levar uma vida perturbada, o que não é condizente com a felicidade.

QUESTÃO 25
Qual a visão do filósofo romano Sêneca sobre a questão da Ira/Raiva?

Para Sêneca, a ira era um problema filosófico que podia ser tratado pela argumentação filosófica. A ira surgia de certas ideias racionalizadas sobre o mundo. E o problema delas era ser otimista demais. Na visão de Sêneca as pessoas ficam com raiva porque criam muitas expectativas. Num ataque de ira, sentimo-nos surpresos e injustiçados. Sêneca diz um dos motivos para nossa raiva é imaginarmos que as coisas sempre têm de ser como queremos, que somos capazes de moldar o mundo segundo nossos desejos, mas não são. Há muitas coisas que temos de aceitar. Nem sempre temos liberdade para mudá-las. 

QUESTÃO 26
Com base no pensamento do filósofo Friedrich Nietzsche, como podemos definir o conceito de Sofrimento?

Todas as pessoas, sem exceção, passam por dificuldades de diferentes graus ao longo de sua existência. Mesmo aquelas que nos parecem tão afeitas ao sucesso, em diferentes momentos de suas vidas passaram, passam ou passarão por infortúnios. Não é possível dividir os homens entre aqueles que são vitoriosos e os que não são. Todos em algum momento têm seus êxitos e seus amargores. A forma como encaramos estes dissabores é que precisa ser revista segundo ele. Temos que pensar a derrota, a dor ou o problema como parte do aprendizado que a vida nos proporciona. Aprender com os erros e, das lições provenientes, em momentos posteriores, ser capaz de articular melhores respostas as situações que a vida nos apresenta.
Saber, ainda, que mesmo com todos os ensinamentos acumulados, novas decepções virão. Levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima, recomeçando com energia a cada novo dia é a receita. E não adianta se escorar em falsas muletas, de acordo com Nietzsche. Para ele, por exemplo, afogar as mágoas em bebidas alcoólicas (e drogas em geral, se me permitem complementar) é um dos piores expedientes aos quais podem recorrer os homens e mulheres. Não resolve absolutamente nada uma bebedeira no final do dia para esquecer os problemas, sejam as dívidas, o desemprego, a doença, um amor não correspondido, uma perda familiar... No outro dia as dificuldades continuam por lá, e o pior de tudo, você ainda acorda com a ressaca, dores de cabeça, enjoos, um gosto horrível na boca...
Apoiar-se na religião também não resolve segundo Nietzsche. A conformidade expressa na Bíblia e no apoio dado por padres e pastores é paliativo. Remédio que nada cura e que, ainda, nos leva a pensar os problemas como parte da sina a qual temos que nos ajustar. Todos teríamos nossas cruzes a carregar e, sendo isso irremediável, que nos conformemos com elas. Aceitar, aceitar e aceitar seriam as palavras de ordem da fé cristã. Mas simplesmente agir de forma submissa e sujeitar-se à dor, ao sofrimento e aos problemas com a promessa da recompensa e superação na eternidade não agradava Nietzsche. Para ele, a religião acomodava a situação e fazia com que as pessoas não se sentissem instadas a lutar contra as condições que lhes impingiam os infortúnios. Superar a pobreza, encontrar um remédio para a enfermidade, buscar outras ocupações, achar um novo amor é que seriam, de seu ponto de vista, as ações a serem empreendidas e não a mera aceitação, passiva, dos problemas.

QUESTÃO 27
Questão de argumentação, resposta pessoal.

QUESTÃO 28
Questão de argumentação, resposta pessoal.

QUESTÃO 29
Questão de argumentação, resposta pessoal.