Ciência e Religião de mãos dadas

Com formação em Filosofia a e em Teologia, Everaldo Cescon defende que razão e fé não são "inimigas", e sim aliadas na busca da verdade. Ele aborda questões polêmicas como o aborto tentando agregar os dois mundos.
por Fábio Antonio Gabriel

Ao ser questionado se Ciência e fé não seriam contraditórias, Everaldo Cescon, que tem formação em Filosofia e em Teologia, alfineta: "Pouca Ciência e pouca fé nos fazem ceder às aparentes contradições e acreditar que estejam em oposição". Segundo ele, são duas maneiras de ver o mundo que se movem em planos epistemológicos distintos. Nesta entrevista, ele se vale das duas visões para discutir problemas enfrentados pelo campo ético e bioético, como aborto e eutanásia, advertindo que "são demasiadamente complexos para um só saber dar conta" deles e reivindica uma atitude mais humilde, seja da Filosofia, da Teologia ou de outras ciências para que possa existir um diálogo "olho no olho" e discursos menos fechados. Cescon ainda encontra espaço para comentar o papel da Filosofia na formação dos jovens nas escolas e para discutir quais seriam os direitos inalienáveis das pessoas - e, mais, o que se pode entender como "uma pessoa" e, como tal, portadora de tais direitos. Aí ele recai novamente em questões polêmicas como o aborto: um feto é uma pessoa? É que nos últimos tempos ele tem se dedicado a estudar as vinculações da Ética com as três áreas às quais se dedica: Fenomenologia, Filosofia da Mente e Filosofia da Religião.
Fábio Antonio Gabriel, professor de Filosofia no Colégio Rio Branco, em Santo Antônio da Platina- PR. www.mundofilosofico.com.br

Foto: Daniela Schiavo

O evento religioso oferece à Filosofia uma fonte rica e única de interrogação no plano antropológico e um correspondente horizonte de respostas no terreno do sentido

FILOSOFIA - Sua formação mescla Teologia e Filosofia. O senhor considera que fé e razão são conciliáveis como apresentou o Papa João Paulo II na sua encíclica Fides et Ratio?

EVERALDO CESCON - Toda a minha trajetória intelectural tem sido marcada pelo diálogo entre Filosofia e Teologia. Iniciei meus estudos superiores fazendo graduação em Filosofia e, depois, em Teologia. Após completar o mestrado e o doutorado em Teologia, esse último em Roma, realizei o pós-doutorado em Filosofia na Universidade de Lisboa. Atualmente, estou cursando um doutorado em Filosofia. Possivelmente minha própria trajetória intelectual demonstre que fé e razão são conciliáveis. Em 2010, publiquei um texto intitulado "A intrínseca relação entre a Filosofia e a Teologia na perspectiva contemporânea", no qual defendo que Filosofia e Teologia são indissociáveis. Evidentemente, a Teologia deve sempre se reportar ao dado da revelação, mas como este não é oferecido estaticamente, requer uma investigação radical. Nesse sentido, a Filosofia pertence à própria natureza da Teologia. Por outro lado, a radicalidade da reflexão filosófica não permite existirem territórios livres que escapem à sua investigação ou que ela, deliberadamente, entenda deixar fora da sua reflexão. O evento religioso oferece à Filosofia uma fonte rica e única de interrogação no plano antropológico e um correspondente horizonte de respostas no terreno do sentido que merecem ser iluminadas, evidenciadas e levadas a um terreno de discernimento especulativo.


FILOSOFIA - Você é editor da revista Conjectura, que publica artigos sobre Filosofia e Educação. Em que medida a Filosofia poderia contribuir para melhorar as condições de ensino no cenário brasileiro?

CESCON - Quem pode melhorar as condições de ensino no cenário brasileiro é o Estado brasileiro, sobretudo com suas políticas. A Filosofia e as Ciências Humanas em geral podem melhorar as condições e a formação do estudante. A Filosofia não pode ser confundida com alguma opinião vaga, fantasiosa ou pretensamente teórica, ou tomada como perspectiva teórica geral de alguma instituição, ou ainda como saber inútil e utopista, valendo, apenas, como denunciadora dos problemas. Seja como inutilidade frente aos problemas cotidianos, seja como forma de um conhecimento ultrapassado e desconectado da realidade. Dificilmente a Filosofia consegue evitar o debate em torno de problemas sociais e políticos, o que, seguramente, no seu ensino torna mais propícia a inclusão da crítica à situação que se vive e a contestação do status quo. Por isso, a Filosofia é perigosa. Ela se caracteriza por um investimento contra os costumes e as práticas consolidadas. Nesse sentido, serve para desestabilizar as pessoas (neste caso, especialmente, os professores e suas práticas pedagógicas) e as estruturas (especialmente as escolas).

A ligação da Filosofia com a Educação é tão intrínseca que o filósofo Dewey chega a afirmar que as filosofias são, em essência, teorias gerais da Educação. A primeira grande formulação filosófica nasceu como estudo de educação. Os sofistas foram os "primeiros educadores profissionais" da civilização ocidental.

FILOSOFIA - Filósofo e teólogo, como se posiciona em relação a temas que envolvem problemas bioéticos que têm sido objeto de polêmicas discussões na sociedade, como, por exemplo, o aborto?

CESCON - No campo bioético, atualmente, duas concepções bastante distintas determinam as posições frente aos problemas candentes que são matéria bioética: a posição laica e a posição religiosa. Essa distinção é mais acentuada nos Estados Unidos e na Europa. Por bioética laica entenda-se uma multiplicidade de visões que se distinguem essencialmente das inspiradas religiosamente pela centralidade, nas decisões acerca da vida e da morte, da autonomia e da liberdade individual, de acordo com as diferentes acepções que tais conceitos podem assumir; pelo valor atribuído à qualidade da vida, também ela entendida segundo diferentes critérios de avaliação; a disponibilidade da vida em relação às diferentes e pessoais concepções de valor; e pela compreensão da ética como disciplina essencialmente humana, estabeisto é, fruto da reflexão racional dos homens, e não como um conjunto de princípios dado de uma vez por todas por alguma autoridade moral ou inscrita na natureza. Já a bioética religiosa tem fundamentação em Deus que, na revelação, indicou o que é o bem e o que, consequentemente, é o mal. Mas essa bipartição é fruto de uma compreensão, na minha opinião, errônea, que põe Deus e o homem como rivais: se Deus é, a autonomia humana é diminuída; negando a Deus, empodero o homem. Uma outra compreensão sobre Deus é possível, ou seja, a de Ele não competir com o ser humano e não impor sua onipotência opressora. Compreendendo a Deus como alguém que, ao criar o homem, dotou-o de poder e liberdade, passou a vê-lo como um potencializador da vida e não um obstáculo ao exercício da liberdade e da autonomia humanas. Talvez o grande empecilho seja a incapacidade de assumirmos que os problemas enfrentados no campo ético e bioético são demasiadamente complexos para um só saber dar conta deles. Nesse sentido, seja a Filosofia, seja a Teologia ou outras ciências precisam assumir uma atitude mais humilde e entabular um diálogo "olho no olho" e contra os discursos fechados. É nessa atitude caracterizada pela humildade e pela necessária interdisciplinaridade que busco estabelecer minhas posições frente a problemas como o aborto, a eutanásia etc. Como orientador de pesquisas no mestrado em Ética da Universidade de Caxias do Sul, procuro respeitar as posições assumidas pelos meus orientandos e estabelecer um diálogo construtivo acerca das problemáticas. O importante é perceber a complexidade dos problemas e manter sempre uma atitude crítica em relação às teorias e aos argumentos que as sustentam.


FILOSOFIA - A Filosofia voltou a estar presente na educação básica brasileira. Qual é a importância da formação filosófica do adolescente e em que medida ela contribui para a formação do estudante enquanto cidadão?

CESCON - Desde o princípio gostaria de deixar claro que o papel da Filosofia sempre é questionado, não só no âmbito do ensino básico, mas também no ensino médio e superior. Sou professor no ensino superior há 14 anos e continuamente ouço fazerem-me a pergunta: "Filosofia para quê? No que é que eu vou aplicar isso na minha profissão?" Qualquer iniciante em Filosofia tem uma resposta irônica que foi formulada para tal: "A Filosofia é a Ciência com a qual ou sem a qual o mundo fica tal e qual". Ou seja, não serve para nada, não é útil para nada. É engraçado. Ninguém pergunta para que servem as Engenharias ou as Ciências da Saúde. O senso comum considera útil o que dá prestígio, fama, poder. Julga o útil pelos resultados visíveis. Desse ponto de vista a Filosofia é inútil. Entretanto, como diz Marilena Chaui, "se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes establecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da Cultura, da História for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas Artes, nas Ciências e na Política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os jovens e todos os seres humanos precisam".


Ao criar o homem, Deus dotou-o de poder e liberdade, passou a vê-lo como um potencializador da vida, e não um obstáculo ao exercício da liberdade e da autonomia humanas

FILOSOFIA - No artigo "O conceito funcional de pessoa na Bioética secular", o senhor trabalha a questão da dignidade da pessoa humana. Quais são os direitos inalienáveis que envolvem o conceito de pessoa humana e que não podem ser desrespeitados?

CESCON - Os direitos inalienáveis são os direitos que não se pode alienar, ou seja, ceder ou vender. São todos os direitos fundamentais que não podem ser legitimamente negados a alguém pela sua própria condição humana. No campo político, atualmente, a discussão se centra na afirmação dos direitos das minorias, no direito à diferença, especialmente. Pode-se reconstruir a história dos direitos inalienáveis em três etapas: em 1948, quando foi estabelecida a Declaração Universal dos Direitos Humanos, houve uma afirmação daquilo que nos acomunava como indivíduos pertencentes à espécie humana, seres humanos. Numa segunda fase houve o estabelecimento dos direitos específicos dos homens e das mulheres. E, na terceira fase, atualmente em curso, estamos estabelecendo os direitos à diferença, a partir daquilo que é específico de cada grupo humano. E não só. Crescem os grupos dos que pedem a afirmação dos direitos dos animais, por exemplo. No campo filosófico, defendo a tese de que a discussão, antes de ser política ou ética, é ontológica. Mais do que construir um rol de direitos inalienáveis, temos de definir quem é pessoa, pois os direitos inalienáveis são "da" pessoa. Especialmente na Filosofia de ênfase analítica, a investigação, em diálogo estreito com a Biologia e com a Neurociência, se centra na questão "o que é uma pessoa". A Filosofia analítica parte do princípio de que se definindo o que é uma pessoa se estabelecerão critérios para identificar "quem" é pessoa e, consequentemente, sujeito de direitos inalienáveis. Não pretendo, e nem há espaço aqui para tal, aprofundar essa discussão, mas gostaria de indicar o alcance ético dessa investigação. Determinando-se critérios para a atribuição da pessoalidade (tais como autoconsciência, racionalidade, linguagem, ação simbólica etc.), assume- -se uma tendência separacionista (posso ter ser humano sem que ainda se tenha pessoa, por exemplo, no feto, e posso ter ser humano já não tendo pessoa, por exemplo em alguém em coma irreversível) e uma tendência extensionista (posso atribuir a pessoalidade também a determinadas espécies animais, especialmente aos primatas superiores). Isso tudo quer dizer que, além da Declaração Universal dos Direitos Humanos, podemos vir a ter uma Declaração Universal dos Direitos da Pessoa, inclusive com direitos atribuíveis em gradualidade, de acordo com a posse e a realização plena das faculdades que forem tomadas como critérios de definição do "que" é uma pessoa.


FILOSOFIA - A Ciência deseja ser independente e julgar a si mesma quando se trata dos limites das pesquisas científicas. As instituições religiosas acreditam ser dever delas refletir sobre diversas situações que envolvem os fiéis. Você acredita que a Ciência e a Religião podem um dia chegar a elementos consensuais?

CESCON - A ideia de que entre Ciência e Religião haja pouca coisa em comum, que andem em trilhos diferentes e que uma se oponha à outra é bastante difundida. Muitas vezes o cientista foi e é visto como o inimigo a combater pelo homem de fé e vice-versa. Eu acho que há ponto de contato e que se possam ajudar mutuamente. A Religião pode ajudar a Ciência lembrando-a de que o ponto central é o homem e que a pesquisa deve girar ao seu redor e estar ao seu serviço. Se não me engano, foi justamente Pasteur ou Einstein quem afirmou: "Pouca Ciência afasta de Deus, mas muita aproxima dele". Nesse sentido, sou tentado a dizer que pouca Ciência e pouca fé nos fazem ceder às aparentes contradições e acreditar que estejam em oposição. As problemáticas estudadas pela Bioética frequentemente estão conectadas com os progressos das Ciên cias Biológicas e Médicas, mas não podem ser reduzidas à racionalidade científica. A solução ética dos dilemas que se referem à vida e à morte, à cura e ao sofrimento e à relação entre as pessoas não pode prescindir da visão integral da realidade. Tal visão pode ser aberta ou fechada à transcendência, ser unicamente racional ou racional e iluminada pela fé.

Se fosse verdade que aquilo que é científico fosse sempre a verdade, seria incompreensível como o sistema geocêntrico de Ptolomeu e o heliocêntrico de Copérnico tenham sido considerados verdadeiros nos séculos em que foram formulados. A Ciência é intrinsecamente revisionista, visto que toda teoria científica prevê a possibilidade de ser contradita, conforme sustentou Popper. Nesse sentido, Ciência e fé não estão em contraposição. Movem-se em planos epistemológicos distintos e perseguem finalidades diferentes, mas não estão em contraposição. Uma Ciência aberta à transcendência e, de outro lado, uma Religião aberta à Ciência oferecem ao homem de qualquer época uma visão mais integral da realidade. Mas se andam por caminhos distintos, como podem se aproximar? Só o amor pela verdade pode aproximá-las. O homem deseja conhecer a verdade porque é movido pelo desejo e pela paixão, porque é animado e movido pelo amor pela verdade e até não a encontrar não se satisfaz, não fica em paz: é a típica dinâmica do Eros. O homem, por mais que possa conhecer por meio da racionalidade científica, não encontrou e não encontra todas as respostas que busca. Com isso, verifica que uma visão completamente determinista e previsível da natureza e da realidade se revela falsa e ilusória. Portanto, Ciência e Religião só chegam a elementos consensuais quando os homens que as fazem conduzem as suas pesquisas da verdade sustentados pelo amor pela verdade. Agostinho de Hipona escreveu: "Aquilo que se possui com a mente se tem conhecendo-o, mas nenhum bem é conhecido perfeitamente se não se ama perfeitamente" (De diversis quaestionibus, 35, 2).

Foto: Daniela Schiavo
FILOSOFIA - Você participa de um projeto de pesquisa intitulado "O conceito de pessoa em Daniel C. Dennett". O que representa o conceito de pessoa para Dennett e qual é a relevância desse pensador para a contemporaneidade?

CESCON - A noção clássica de pessoa, herança da metafísica cristã, como valor, substância ontológica, atribuição de consciência e status social, após Descartes, incorporou a noção de mente e de consciência e, graças às contribuições de Locke e de Hume, dissolveu o estatuto ontológico do sujeito. A atribuição de uma mente e de estados mentais se tornou fundamental para os critérios de atribuição do status de pessoa. Nesse quadro teórico o avanço das Neurociências e o progressivo desenvolvimento científico põem quesitos interessantes que evidenciam sempre mais a reflexão ética, sobretudo em relação aos critérios de valoração para ser pessoas. Quem tem uma mente? O que é uma mente? Quais entidades são pessoas? A Ciência pode responder a esse gênero de perguntas? No citado projeto de pesquisa tomam-se em consideração os argumentos que o filósofo norte-americano Daniel C. Dennett propõe em relação à noção de pessoa para desencadear um debate acerca do conceito amplamente discutido em âmbito filosófico e na Teologia cristã da Antiguidade tardia, mas que se revela, dia após dia, sempre mais atual, especialmente no contexto dos modernos debates éticos. Assim, pretende-se, por meio da perspectiva do autor, tornar eficaz e produtiva uma integração entre os diferentes campos de pesquisa, entre o sentido metafísico e o sentido ético que, apesar da particularidade dos métodos e dos objetivos, se torna necessária para ter um quadro global e coerente da noção de pessoa. Dennett estabelece uma criteriologia (seis condições) para definir que entidades existentes no mundo são pessoas: o primeiro critério determina que as pessoas são seres racionais; o segundo as considera como criaturas às quais são adscrivíveis predicados intencionais (típicos da Psicologia popular, tais como crenças e desejos); o terceiro critério requer que uma pessoa, para ser tal, deva ser objeto de uma atenção especial por parte dos outros indivíduos: uma pessoa é um objeto de preocupação ética; o quarto quer que tal atenção seja recíproca: uma pessoa deve ter uma preocupação e um interesse ético em relação às outras pessoas; o quinto critério aponta para o fato de as pessoas deverem ser capazes de comunicação verbal; e a sexta condição é que devem ser conscientes (e, talvez, autoconscientes). Essa criteriologia permite estabelecer uma espécie de taxonomia entre as entidades, de acordo com o grau de participação das entidades no conceito de pessoa. Ou seja, segundo Dennett, há entidades que participam em diferentes graus da categoria pessoa, de acordo com a participação nas condições supraestabelecidas. Significa dizer que temos entidades que são mais pessoa e outras que são menos pessoa, disso decorrendo o reconhecimento de que têm mais ou menos direitos, respectivamente.

Daniel Clement Dennett é um filósofo estadunidense nascido em 1942, aluno de Quine e Ryle, devotado à Filosofia da Mente e à Biologia e que critica a autorreferencialidade dos filósofos preocupados com questões de princípio, na maioria das vezes desconsiderando o resultado das pesquisas científicas. Tornou- -se ilustre pelos seus estudos em Ciências Cognitivas (estudo científico da mente ou inteligência) e por sua capacidade de traduzir a importância cultural da Ciência e da tecnologia a uma ampla audiência. Abarcou as principais questões culturais do nosso tempo, tais como: "De onde viemos?" e "O que é a consciência?". Partindo das Ciências Naturais, Dennett se ocupa de um leque amplo de temas em seu trabalho, desde a origem da Religião e o darwinismo até o livre-arbítrio e a inteligência artificial. Suas pesquisas estão, no Brasil, divulgadas em obras como: Tipos de mente; Conteúdo e consciência; Consciência explicada; Onde nascem as ideias; Quebrando o encanto; Neurociência e Filosofia: mente, cérebro e linguagem; A ideia perigosa de Darwin.

Ciência e fé não estão em contraposição. Movem-se em planos epistemológicos distintos e perseguem finalidades diferentes, mas não estão em contraposição

FILOSOFIA Quais são seus futuros projetos de pesquisa? E como você entende a contribuição da Filosofia para a sociedade, sendo que muitas vezes ela é vista como uma disciplina que investiga questões metafísicas distantes do cotidiano das pessoas?

CESCON - Atualmente estou centrado em três áreas de pesquisa filosófica e em suas vinculações com a Ética: Fenomenologia, Filosofia da Mente e Filosofia da Religião. O foco das pesquisas tem sido a categoria/conceito de pessoa, especialmente a partir das filosofias de Edmund Husserl, Daniel Dennett e John Searle. Nesse momento, além do projeto de pesquisa já citado, estou em fase de elaboração da tese de doutoramento em Filosofia sobre a constituição da pessoa ética no pensamento de Edmund Husserl. Os resultados dessas pequisas já começaram a ser publicados e outros trabalhos estão no prelo. Em breve ganharão o mercado editorial o livro Fenomenologia da consciência e da mente, pela Editora da Universidade de Caxias do Sul, "Ética e Religião" (em coautoria com Paulo César Nodari, compondo um Manual de Ética, um projeto ousado capitaneado pelo PPGFil - Mestrado em Ética, da UCS, "O futuro da natureza humana: entre o determinismo biológico e o totalitarismo técnico" (cap. do livro Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas - PUCPR), "Possibilidades de se pensar a compatibilidade entre evolução e criação" (cap. do livro Religião e evolução). Também estou trabalhando na elaboração de um trabalho intitulado "Platone nell'interpretazione di Xavier Zubiri", no âmbito de um projeto intitulado Platone nel pensiero moderno e contemporaneo (Bari, Itália, Editora Liminamentis).

Texto Retirado da Revista Filosofia - Ciência & Vida.

A força transformadora da multidão

A violência empregada pela multidão na luta por cidadania fomenta a força transformadora que impulsiona a atitude revolucionária e é fruto de seu amor pelo existir.


O mês de junho de 2013 ficará marcado na história política do Brasil pela luta de diversos segmentos sociais de nossa população contra os contínuos desagravos cometidos pela classe politiqueira, que supostamente nos representa o bem comum. Corrupção, inserção de parâmetros religiosos em nossa constituição laica, dinheiro público mal aplicado, falta de investimento adequado em Saúde e Educação, sucateamento dos serviços públicos, em suma, uma série de espoliações contra a cidadania ocasionou na população brasileira um ímpeto de indignação contra os rumos da política nacional. Talvez as castas políticas mais reacionárias não acreditassem na possibilidade de o povo brasileiro tomar as ruas em sua luta por melhorias nas condições de vida em suas mais diversas instâncias. Todavia, nossa população, tão estereotipada no imaginário coletivo como "cordial", tão narcotizada pela lógica do espetáculo integrado cotidiano, tão idiotizada em sua aceitação das constantes mazelas que perpassam nosso tecido social, gritou coletivamente contra tanta rapinagem política. O estopim da revolta foi o aumento abusivo do valor da tarifa de ônibus nas grandes cidades brasileiras, mas a luta maior não é por 20 centavos: é pela reconquista da cidadania tão diluída pela perda da representatividade política daqueles que ocupam o poder estabelecido no país.
Para compreendermos esse fenômeno político, precisamos inserir no palco da ação a categoria filosófica da Multidão, um grande corpo de indivíduos caracteristicamente diferentes entre si nos mais diversos modos de expressão, mas que, apesar dessas diferenças singulares, adquiriram a capacidade de mobilização associada a partir da apropriação de disposições criadoras, favoráveis ao desenvolvimento da força de ação, intensificada nesse conjunto que visa realizar condições favoráveis ao bem comum. Para Michael Hardt (1960) e Antonio Negri (1933), a Multidão é composta de inúmeras diferenças internas que nunca poderão ser reduzidas a uma unidade ou identidade única, pois é uma multiplicidade das diferenças singulares.¹
¹ HARDT e NEGRI, Multidão, p. 12.

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Renato Nunes Bittencourt é Doutor em Filosofia pelo PPGF-UFRJ, professor do Curso de Especialização em Pesquisa de Mercado e Opinião da UERJ, professor do Curso de Comunicação Social da Faculdade CCAA e da Faculdade Flama e membro do Grupo de Pesquisa Spinoza & Nietzshe 


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O ALEMÃO Herbert Marcuse é aclamado mundialmente como o filósofo da libertação e da revolução. sua teoria afirma que o processo de emancipação somente será viável com a denominada "grande recusa", ou seja, uma recusa absoluta do sistema de vida estabelecido, que deve ocorrer através de manifestações revolucionárias lideradas pela juventude

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No dia 17 de junho de 2013, milhares de manifestantes se mobilizaram diante do Congresso Nacional. O protesto representa uma insatisfação com os poderes públicos e com os representantes eleitos

O AGIR EFETIVO DAS MULTIDÕES
A mobilização popular por uma causa de interesse coletivo, como a luta pela deposição de um poder tirânico, representa o desenvolvimento da consciência da força plástica que se encontra subjacente em cada pessoa, que se amplia mediante as redes colaborativas da comunhão e agregação desse quantum de vitalidade. Formando um grande corpo político, a Multidão efetiva os resultados planejados por meio de sua sólida unidade orgânica. Quando estamos associados intrinsecamente a um grupo de indiví duos que aspiram coletivamente ao aumento da potência de agir, proporcionamos o aprimoramento das condições de vida de nossa própria sociedade, efetivada principalmente a partir do momento em que adquirimos a compreensão da importância desse relacionamento social, que potencializa o núcleo de forças vitais da coletividade, a Multidão. Dessa maneira, abre-se uma perspectiva renovadora para o estudo filosófico das erupções populares na sociedade contemporânea, resgatando a sua força política como um processo efetivo de transformação social em nossa realidade regida pela massificação da cultura nos seus mais diversos níveis.

Internacional socialista e a América latina

A Internacional socialista (is), foi fundada em 1951 por partidos social-democratas em um congresso realizado em frankfurt, na Alemanha, que consistia em uma instância de coordenação política e troca de informações entre os partidos sociais-democratas da europa. A is não propunha um modelo político específico, mas sim uma forma de atuação que permite que cada partido político filiado encontre meios de contribuir para diversas questões que, no mundo contemporâneo, afligem a humanidade. paradoxalmente, o declínio político social-democrata no continente europeu coincidiu com uma atuação mais incisiva da is em nível mundial, particularmente na América latina, na África do sul e em alguns países árabes. o congresso da is realizado em 1976, em genebra, e que elegeu Willy Brandt como seu presidente, também aprovou "uma ofensiva ao terceiro Mundo" e no mesmo ano se realizou uma reunião de partidos social-democratas europeus e latino-americanos em caracas para discutir a "solidariedade e democracia social". era o período de crescimento da luta pela redemocratização na maioria dos países da América latina, quando o mundo se escandalizava com as revelações da violação sistemática dos direitos humanos e os crimes praticados pelas ditaduras militares em diversos países.

O pensador francês Michel Maff esoli (1944) considera que o fator que torna as multidões contemporâneas misteriosas e, sob muitos aspectos, anômicas, é que elas são inalcançáveis, pois estão sempre em caminho rumo a alguma coisa que o funcionalismo econômico tem dificuldade de dominar². Decorre dessa característica a dificuldade de burocratização política desses grupos de contestação e transformação social e, simultaneamente, de se saber qual o espectro político que seguem. A Multidão evidencia a crise da representação política em um momento histórico no qual as legendas políticas se afastaram das suas propostas fundamentais, dissolvendo-se em uma massa informe regida pelas negociatas e desejo de manutenção do poder acima de tudo.
² MAFFESOLI, Sobre o nomadismo, p. 171.
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Na multidão, cada um continua sendo singular e ao mesmo tempo partilha algo de comum

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A MULTIDÃO EVIDENCIA A CRISE DA REPRESENTAÇÃO POLÍTICA EM UM MOMENTO HISTÓRICO NO QUAL AS LEGENDAS POLÍTICAS SE AFASTARAM DAS SUAS PROPOSTAS FUNDAMENTAIS

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Em vez de promover a cidadania, o autoritarismo fascista das forças policiais triunfa sobre a ordem civil impondo dor e humilhação para todos aqueles que estão desamparados politicamente
Assim como o indivíduo consciente do seu poder singular perante os ditames da padronização do gosto social é capaz de lutar contra essas determinações alienantes, a coletividade social se une em prol da ampliação da qualidade de vida e da afirmação dos seus direitos políticos perante uma realidade social que se caracteriza justamente pelo vazio do espectro político. Por isso uma revolução se faz não com palavras de ordem, mas com ações efetivas que promovam a transformação da situação de opressão na qual se vive. Diz-se que antes de mudar as coisas é preciso que se mude interiormente, mas quem reconhece a necessidade de mudança social já se modificou interiormente, pois a constatação da contradição da realidade exerce no sujeito imbuído de senso crítico a aspiração por reforma social. Para Frantz Fanon (1925-1961), politizar as massas não é, não pode ser, fazer um discurso político. É dedicar-se obstinadamente a fazer com que as massas compreendam que tudo depende delas, que se estagnamos é por sua culpa e que se avançamos também é por sua culpa, que não há demiurgo, não há homem ilustre e responsável por tudo, mas que o demiurgo é o povo e que as mãos são apenas, definitivamente, as mãos do povo³.

A VIOLÊNCIA BILATERAL
A violência da polícia representa a desumanização do Estado; a violência da Multidão representa o processo de supressão da alienação e o reconhecimento de sua condição humana. A violência deve ser bilateral, somente quando a Multidão de fato lutar contra a opressão do Estado ela vai concretizar seus objetivos libertários. Nessas circunstâncias não é a destruição do patrimônio público que promoverá a transformação social, mas a resistência efetiva contra a violência policial que atua em nome do Estado. O órgão público que mais deveria zelar pela paz social é aquele que, pelo contrário, mais favorece a perpetuação do mal-estar coletivo: a polícia, representante do infame aparelho repressivo do Estado na definição proposta por Louis Althusser (1918-1990). Em vez de promover a cidadania, o autoritarismo fascista das forças policiais triunfa sobre a ordem civil impondo dor e humilhação para todos aqueles que estão desamparados politicamente perante a arbitrariedade do poder estabelecido em conluio com os detentores dos meios de produção. Conforme argumenta o filósofo Axel Honneth (1949), os maus-tratos físicos de um sujeito representam um todo de desrespeito que fere duradouramente a confiança, aprendida através do amor, na capacidade de coordenação autônoma do próprio corpo; daí a consequência ser talvez, com efeito, uma perda de confiança em si e no mundo, que se estende até as camadas corporais do reconhecimento prático com outros sujeitos, emparelhados com uma espécie de vergonha social4.


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O movimento da população é horizontal, mas a sociedade brasileiro é rigorosamente vertical, marcada pela estrutura hierárquica do espaço social
O poder de violência deve estar com a Multidão, e a expressão da violência popular se caracteriza como a negação das forças que nos são antagônicas; o amor talvez assimile tudo, mas isso só faz sentido numa visão romântica, idílica. O Estado esmaga o oprimido de fato e de forma simbólica, e nós aplaudimos essa opressão. Agora que está havendo a reação contra os que oprimem, não podemos frear a expressão desse poder de transformação, que é também de destruição. Mesmo a vida em sua estrutura microcósmica se caracteriza pela apropriação, pela destruição. Todos os autênticos movimentos revolucionários da história da humanidade se pautaram na luta de morte contra as estruturas do poder normativo (Revolução Francesa, Revolução Haitiana, Revolução Russa, Revolução Cubana). Séculos de opressão de uma elite no poder. Quando a multidão conseguiu se libertar dessa dominação, o discurso reacionário pede moderação? Ora, nada de moderação, pois a opressão hegemônica do Estado contra os oprimidos nunca foi moderada. A história do Estado é a história da opressão da elite detentora do poder material sobre os subalternos. Conforme aponta Walter Benjamin (1892-1940), a afirmação de que os fins da violência policial seriam sempre idênticos aos do reino do Direito, ou pelo menos teriam relação com estes, é inteiramente falsa. Pelo contrário, o "Direito" da polícia assinala o ponto em que o Estado, seja por impotência, seja por causa das conexões imanentes a qualquer ordem de direito, não consegue mais garantir, por meio dessa ordem, os fins empíricos que ela deseja alcançar a qualquer preço5. O Estado, em vez de promover a regulação dos conflitos sociais, apenas referenda a opressão da elite sobre os desprovidos dos meios de produção e sobre todos aqueles que contestam as suas arbitrariedades legitimadas juridicamente. Conforme argumenta o sociólogo francês Löic Wacquant (1960), essa violência policial se inscreve em uma tradição nacional multissecular de controle dos miseráveis pela força, tradição originada da escravidão e dos conflitos agrários, que se viu fortalecida por duas décadas de ditadura militar, quando a luta contra a "subversão interna" se disfarçava em repressão aos delinquentes6.
6 WACQUANT, As prisões da miséria, p. 11.
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A SOCIEDADE EXCLUDENTE DO REGIME CAPITALISTA NÃO VISA ESTABELECER A JUSTIÇA SOCIAL, MAS SIM EFETIVAR MEIOS PRÁTICOS DE SE PROVOCAR CISÕES SOCIAIS


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A COMUNA
 de Paris foi o primeiro governo operário da história. se consolidou com uma revolta ocorrida em 1871, na qual os trabalhadores resistiriam e governariam a cidade por cerca de três meses, na experiência que Karl Marx denominou de "assalto aos céus", até que cerca de 30.000 cidadãos foram massacrados pelo exército francês

HIGIENIZAÇÃO SOCIAL
Um dos sintomas mais vilipendiosos do moderno processo de constituição espacial da elite da sociedade industrial se constituiu através da progressiva gentrificação territorial, isto é, a expulsão dos moradores economicamente desfavorecidos das áreas de intervenção urbana regida pela anuência do Estado autoritário; esses espaços remodelados passam então a receber moradores mais abastados ou funções sociais mais sofisticadas do ponto de vista da sociedade de consumo. A forma extrema da gestão punitiva da pobreza não consiste em suprimi-la pela eliminação física dos miseráveis? Grande parte das aglomerações das comunidades periféricas, favelas e guetos surgiu justamente da expulsão dos agrupamentos humanos de locais que, antes alheios aos interesses econômicos dos donos do poder, se tornam objetos de sua cobiça infame. A sociedade excludente do regime capitalista não visa estabelecer a justiça social, mas sim efetivar meios práticos de se provocar cisões sociais que legitimem a aplicação da repressão oficial contra os desfavorecidos materialmente e todos aqueles que lutam pela efetivação da justiça social. Os versos da Internacional Socialista retratam com precisão essa questão: "O crime de rico, a lei o cobre/O Estado esmaga o oprimido/Não há direitos para o pobre/ Ao rico tudo é permitido/À opressão não mais sujeitos/Somos iguais todos os seres/ Não mais deveres sem direitos/Não mais direitos sem deveres".


Multidão, povo, massa
"A multidão desafia qualquer representação por se tratar de uma multiplicidade incomensurável. o povo é sempre representado como unidade, ao passo que a multidão não é representável, ela apresenta sua face monstruosa vis-à-vis os racionalismos teleológicos e transcendentais da modernidade. Ao contrário do conceito de povo, o conceito de multidão é de uma multiplicidade singular, um universal concreto. o povo constitui um corpo social; a multidão não, porque a multidão, é a carne da vida. se por um lado opusermos multidão a povo, devemos também contrastá-la com as massas e a plebe. Massas e plebe são palavras que têm sido frequentemente empregadas para nomear uma força social irracional e passiva, violenta e perigosa que, justamente por isso, é facilmente manipulável." negri, Antonio. "para uma definição ontológica da Multidão" in. lugar comum 19-20, 2004 p.15-26.

Imagem: Agência Brasil
A violência cometida por uma minoria de pessoas em grandes manifestações coletivas é imputada como vandalismo pelo discurso oficial do Estado e pelos aparatos midiáticos submissos ao poder dominante
A massa humana confinada em seu espaço de exclusão social, desprovida de sua cidadania, sequer pode lutar adequadamente por seus direitos políticos, tornando- se assim um mero dado estatístico para as estruturas repressivas da sociedade moderna e suas hierarquizações plutocráticas. Para Marilena Chaui (1941), conservando as marcas da sociedade colonial escravista, ou aquilo que alguns estudiosos designam como "cultura senhorial", a sociedade brasileira é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social que determina a forma de uma sociedade fortemente verticalizada em todos os seus aspectos: nela, as relações sociais e intersubjetivas são sempre realizadas como relação entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece. As diferenças e assimetrias são sempre transformadas em desigualdades que reforçam a relação mando-obediência. O outro jamais é reconhecido como sujeito nem como sujeito de direitos, jamais é reconhecido como subjetividade nem como alteridade7.

A LEGITIMAÇÃO DA VIOLÊNCIA
Interessante destacar que a violência de dez, vinte pessoas em grandes manifestações coletivas é imputada como vandalismo pelo discurso oficial do Estado e pelos aparatos midiáticos submissos ao poder dominante. Se porventura milhares de cidadãos insatisfeitos pegarem em armas e lutarem corajosamente contra a opressão do Estado em nome dessa causa justa, a palavra mudará. Será chamada de construção de uma nova era na expe riência política. Nesse contexto, os comentários a seguir de Karl Marx (1818-1883) sobre a mobilização popular da Comuna de Paris (1871) revelam-se maravilhosamente contextualizáveis para a questão tratada: "Se os atos dos trabalhadores de Paris foram de vandalismo, era o vandalismo da defesa em desespero, não o vandalismo do triunfo, como aquele que os cristãos perpetraram ao destruir os inestimáveis tesouros artísticos da Antiguidade pagã; e mesmo esse vandalismo foi justificado pelos historiadores como inevitável e insignificante se comparado à luta titânica entre uma sociedade nova a surgir e uma sociedade velha a se despedaçar. E ainda menos que o vandalismo de Haussmann, que arrasou a Paris histórica para dar lugar à Paris do turista!"8. Nada muito distante de nossa atual conjuntura histórica, cidadãos desalojados de suas residências em prol da especulação imobiliária perpetrada por empresários inescrupulosos associados ao poder estabelecido. Tudo em nome do "progresso da cidade", conforme a ideologia oficial apregoa. Nessas condições, quem é o verdadeiro vândalo?

É imprescindível que se combata o fascismo do Estado autoritário-plutocrático, detentor do monopólio legítimo da violência. Precisamos acabar com o contrato social burguês e instaurar uma nova forma de política em que as castas espoliadoras do bem público encontrem-se radicalmente afastadas do poder. Conforme afirma Frantz Fanon (1925-1961), só a violência exercida pelo povo, violência organizada e esclarecida pela direção, permite às massas decifrarem a realidade social e lhe dá a sua chave. Sem essa luta, sem esse conhecimento na práxis, só há carnaval e fanfarras.9 Em toda opressão já existe a semente da luta contra a hegemônica. Mas o fetiche do capital anestesia todas as dores do mundo e o ímpeto de contestação radical do sistema através da espetacularização da política. Muitos manifestantes fazem de sua participação nas mobilizações populares uma espécie de diversão; tanto pior, indivíduos alienados posam para fotos com os instrumentos da repressão do Estado como se estes fossem atrações turísticas. Podemos afirmar que, assim como quem consome produtos manufaturados por trabalhadores que laboram em condições precárias é moralmente responsável pela manutenção desse sistema espoliador, também aqueles que pagam quantias elevadas para assistir jogos de futebol de torneios concretizados através da corrupção das corporações esportivas e das estruturas governamentais são culpados por tal situação. O futebol se torna a culminação da alienação popular brasileira, de modo que a colocação de Étienne de La Boétie (1530-1563) se revela absolutamente extratemporal e pertinente: "Os teatros, os jogos, as farsas, os espetáculos, os gladiadores, as feras exóticas, as medalhas, os quadros e outras bugigangas eram para os povos antigos engodos da servidão, o preço da liberdade que perdiam, as ferramentas da tirania. Desse meio, dessa prática, desses engodos se serviam os antigos tiranos para adormecerem os súditos sob o jugo"10.
8 MARX, A guerra civil na França, p. 76-77.
9 FANON, Os condenados da Terra, p. 171.
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O DISCURSO DA NÃO VIOLÊNCIA SE CARACTERIZA COMO UMA IDEOLOGIA QUE VISA MANTER A POPULAÇÃO PASSIVA PERANTE AS FORMAS DE VIOLÊNCIA DO SISTEMA VIGENTE

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Você compraria produtos ou serviços de uma empresa que utiliza mão de obra escrava ou trabalho infantil?
Na confluência da organização popular contra a opressão do Estado legitimador dos interesses plutocráticos, o discurso da não reação e da não violência se caracteriza como um discurso ideológico que visa apenas manter a população em estado de passividade perante todas as formas de violência praticadas pelo sistema vigente contra o interesse coletivo. Se em nome da paz e da ordem é necessário viver subjugado na lama da humilhação, "paz" e "ordem" se revelam palavras terríveis. Conforme argumenta Henry David Th oreau (1817- 1862), "todos os homens reconhecem o direito de revolução; isto é, o direito de recusar obediência ao governo, e de resistir a ele, quando sua tirania ou sua ineficiência são grandes e intoleráveis [...] Em um governo que aprisiona qualquer um injustamente, o verdadeiro lugar para um homem justo é também a prisão"11.
Imagem: Agência Brasil
A cerimônia de encerramento da Copa das Confederações foi cenário de protestos não apenas do lado de fora do Maracanã, mas também dentro do estádio

COMBATE À DEMOCRACIA FASCISTA
Uma saída viável contra a barbárie tecnocrática que se encontra associada ao Estado normativo, detentor do monopólio legítimo da violência e que legisla em nome das classes empresariais e dos especuladores financeiros, encontra-se na tomada das ruas como manifestação impressionante de seu poder e, em seguida, na composição de quadros políticos que efetivamente representem o povo, suprimindo-se assim da agenda política os marcos infelizes que legislam em causa própria. Os movimentos contra hegemônicos no combate radical ao fascismo instituído travestido de Estado democrático nascem do despertar de uma inteligência coletiva que agrega os corpos políticos em uma multidão capaz de destruir as bases corruptas do poder oficial. A violência empregada pela multidão na sua luta por cidadania é fruto de seu amor ao existir, e não é possível concebermos uma atitude revolucionária desprovida da força transformadora que se utiliza de meios violentos para fazer valer seu reconhecimento como ser humano. Paulo Freire (1921-1997) expressa de maneira precisa essa questão ao enfatizar que, na verdade, porém, por paradoxal que possa parecer, na resposta dos oprimidos à violência dos opressores é que vamos encontrar o gesto de amor. Consciente ou inconscientemente, o ato de rebelião dos oprimidos, que é sempre tão ou quase tão violento quanto a violência que os cria, esse ato dos oprimidos, sim, pode inaugurar o amor. Enquanto a violência dos opressores faz dos oprimidos homens proibidos de ser, a resposta destes à violência daqueles se encontra infundida do anseio de busca do direito de ser. Para os opressores, porém, na hipocrisia de sua "generosidade", são sempre os oprimidos, que eles jamais obviamente chamam de oprimidos, mas, conforme me situem, interna ou externamente, de "essa gente" ou de "essa massa cega e invejosa", ou de "selvagens", ou de "nativos", ou de "subversivos", são sempre os oprimidos os que desamam. São sempre eles os "violentos", os "bárbaros" os "malvados", os "ferozes" quando reagem à violência dos opressores12.

O discurso da não violência corre o risco de legitimar a perpetuação da opressão e abuso do poder militar sobre a Multidão quando esta aceita docilmente a violência sem reagir. A superação das contradições impostas pelo Estado repressor sobre as aspirações de cidadania da Multidão será conquistada pela apropriação da violência por esses grupos que emergem de todos os lados visando fazer valer seus direitos desapropriados paulatinamente pelos espoliadores chancelados pelo poder do capital.


REFERÊNCIAS
ALTHUSSER, l. Aparelhos ideológicos do Estado. trad. de Walter José evangelista e Maria laum viveiros de castro. rio de Janeiro: graal, 1985.
BENJAMIN, W. para uma crítica da violência. trad. de ernani chaves. in: Escritos sobre mito e linguagem. são paulo: ed. 34/duas cidades, 2011, p. 121-156.
CHAUI, M. Brasil - mito fundador e sociedade autoritária. são paulo: fundação perseu Abramo, 2007.
FANON, f. Os condenados da Terra. trad. de enilce Albergaria rocha e lucy Magalhães. Juiz de fora: ed. ufJf, 2010.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. rio de Janeiro: paz e terra, 2005.
HARDT, M.; NEGRI, A. Multidão. guerra e democracia na era do império. trad. de clóvis Marques. são paulo: record, 2005.
HONNETH, A. Luta por reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais. trad. de luiz repa. são paulo: ed. 34, 2009.
LA BOÉTIE, É. Discurso sobre a servidão voluntária. trad. de Manuel José gomes. lisboa: Antígona, 1997.
MAFFESOLI, M. Sobre o nomadismo - vagabundagens pós-modernas. trad. de Marcos de castro. rio de Janeiro: record, 2001.
MARX, K. A guerra civil na França. trad. de rubens enderle. são paulo: Boitempo, 2011.
THOREAU, H. D. A desobediência civil. são paulo: penguin classics e companhia das letras, 2012.
WACQUANT, L. As prisões da miséria. trad. de André telles e Maria luiza X. de Borges. rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011.

Texto Retirado da Revista Filosofia Ciência & Vida

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Texto Revisional para o Simulado - 1º Ano


Para que Filosofia?
Desde os anos 70 do século passado que, em Minas Gerais, se discute a volta da disciplina Filosofia ao Ensino Médio.
Durante os anos 60, com o impacto da ideologia da cultura tecnicista, de influência norte-americana, a educação humanista, dita clássica, sofreu grande abalo. O ensino de Filosofia, assim como o do Latim, por exemplo, acabou cedendo à formação científica, que passou a significar uma suposta modernização e adequação às novas demandas da realidade econômica do país. Pode-se dizer que o modelo de educação até então vigente entre as elites brasileiras teve que confrontar-se com uma progressiva massificação da cultura, na qual surge a exigência legítima de progressiva democratização. Em Belo Horizonte, no início dos anos '70, tanto no ensino público (federal e estadual), como em algumas escolas particulares, já se experimentava com novos formatos para a Filosofia no curso "científico".
Nestes últimos 30 anos, a prática do ensino de Filosofia e a reflexão sobre suas condições de realização amadureceram e geraram debates teóricos vitais, que nós, educadores, devemos assumir, ao mesmo tempo, como desafios e estímulos. Dentre eles, vale mencionar, a oposição entre o qualitativo e o quantitativo em educação, o conflito entre conteúdos e competências, a tensão entre profissionalização e formação para a vida, entre elitização e massificação, a necessidade de se optar entre generalidades e a especificidade dos conhecimentos, etc. Certamente são problemas que merecem uma precisão adicional e, como sempre no campo da Filosofia, vale a pena pensá-los de frente para termos a experiência concreta de sua relevância.
O ensino de Filosofia, pensado agora no contexto fortemente pragmático do treinamento profissionalizante, se vê paradoxalmente obrigado a renovar-se, o que não é necessariamente ruim, uma vez que, como sabemos, o filosofar sempre alimenta-se de sua negação. Ensinar Filosofia, no final do séc. XX e começos do século XXI, passa a significar formação crítica e torna-se um elemento decisivo na redescoberta da educação para a cidadania (recuperando o cerne movimento socrático-sofístico da Atenas do séc. V a.C.). A Filosofia enquanto paideía se opõe ao positivismo tão disseminado na cultura brasileira e se renova com a pesquisa em História da Filosofia, nos principais currículos de graduação das universidades.
A questão da utilidade da Filosofia é tão antiga quanto estrutural. Pensamos que cada geração de professores deve estar preparada para responder a esta pergunta de modo sério e vigoroso: para que serve a Filosofia?
Seja nos anos 70 do séc. XX, no Ministério da Educação em Brasília, seja no início do séc. V a.C., na ágora da antiga Atenas, a mesma questão é retomada obstinadamente, ou seja, a pretensão filosófica ao saber tem que legitimar sua inserção na cidade, perante os saberes técnicos e utilitários que predominam na mentalidade operante da construção material da vida comum, assim como da racionalidade eficaz da vida política e jurídica.
Retomamos o tema pelo viés socrático: a prática do filosofar vale não só pelo bem em si que ela significa, mas também pelos resultados que proporciona (República II). A Filosofia é útil e sua utilidade decorre do seu efeito pedagógico e de sua força educadora, necessária para a humanização do ser humano, necessária para que se possa construir uma consciência autônoma, um estado de direito, em suma, uma cidade justa.
Não há nenhuma razão para perpetuarmos a imagem derivada de uma leitura rápida da Metafísica de Aristóteles, segundo a qual o filósofo seria um indivíduo totalmente desinteressado, que estaria acima das solicitações do interesse e do desejo humanos. Não devemos e nem precisamos contrapor Filosofia e vida prática interessada. Na verdade, os antigos gregos nos ensinaram que a racionalidade é simultaneamente prática e teórica; e se a prática racional é o domínio dos fins, da busca e realização dos valores, não faz sentido idealizarmos de maneira abstrata e irrealista uma atividade tão decisivamente humana, como se ela fosse supérflua e inútil, ou seja, como se ela não tivesse consequências para a vida.
Para decidirmos da suposta inutilidade da Filosofia é preciso que se estabeleça o que entendemos por “útil”. Se pensarmos num plano bastante elementar, do instrumento mecânico, que é útil exclusivamente pelo resultado imediato que proporciona (como usar um martelo para pregar um prego, por exemplo), podemos e devemos, com certeza, reconhecer a inutilidade da Filosofia. Ela certamente não é um instrumento neutro, sem nenhum sentido ou interesse nele mesmo. Mas se elaborarmos um pouco mais e pensarmos numa perspectiva axiológica, de reflexão sobre os valores (éticos, estéticos, culturais, entre outros), devemos reconhecer a profunda utilidade da Filosofia. Nessa perspectiva, a utilidade se transforma em relevância cultural, papel pedagógico, formação humanística, fator determinante na instauração de valores culturais, elemento construtor da cidadania, etc.
O pensar filosófico é uma modalidade do desejo (que os gregos chamavam de Éros) e, enquanto tal, pode e deve ser a expressão de aspirações humanas legítimas, marcadas por interesses variados, em diversos níveis. Na perspectiva contemporânea, não podemos mais simplesmente opor afetividade e pensamento reflexivo, emoção e inteligência; sabemos que o trabalho do pensamento filosófico se enraíza nas estruturas da afetividade humana e se desenvolve junto com elas. Nessa medida, exercer o pensamento filosófico de maneira viva e autêntica é da maior utilidade para os seres humanos. A Filosofia pode propiciar crescimento pessoal e psíquico, em termos de uma maior capacidade de auto-compreensão e expressão e, ainda, levar ao desenvolvimento de uma consciência crítica e autônoma. Enquanto debate racional, ela certamente proporciona crescimento cívico, respeito pelo outro e pela diferença que representa.
Com relação à especificidade do ensino da Filosofia, pensamos, ainda, nas habilidades cognitivas, reflexivas e críticas que ele desenvolve no indivíduo. Habilidades que, talvez, pudessem ser adquiridas através de outras disciplinas, mas que, na verdade, devem ser concebidas num viés propriamente filosófico. O amadurecimento da formação nas universidades demonstra que há um modo filosófico próprio de conceber essas habilidades. É preciso estarmos atentos às interfaces, mas também às diferenças que delineiam a especificidade da Filosofia por oposição tanto à Psicologia como à História, por exemplo. Nesse sentido, pensamos que é fundamental que se tente construir as habilidades na convivência com a história dos problemas consagrados pela tradição como sendo filosóficos. Dentro da perspectiva histórico-cultural própria da Filosofia ocidental, o filosofar é um modo de viver e um fazer que, a nosso ver, deve incluir as seguintes atitudes:

Perceber - A atitude filosófica implica em saber acolher e detectar questões no plano do vivido, na cultura; é preciso ser sensível aos acontecimentos, saber discernir diferenças. Trata-se de uma sensibilidade inteligente (ou de uma inteligência sensível). Não basta erudição ou acúmulo de conhecimentos, é preciso acuidade de percepção, um discernimento que se experimenta e que aprende com a experiência. Filosofar implica sempre numa atitude interpretativa, numa capacidade de leitura, tanto de textos convencionalmente filosóficos, como de outros “textos” (objetos, obras de arte, acontecimentos, imagens, eventos e produtos culturais diversos). O perceber filosófico é um modo de estar no mundo, de se ver e ouvir o outro, de captar e decifrar signos, um modo que não parte de uma suposição de saber, mas que é uma aspiração (filo-) que se orienta por uma exigência de significação (-sophia).

Problematizar – A Filosofia, em geral, caracteriza-se por sua atitude de questionamento do imediatamente dado, de desconfiança das aparências e de dúvida a respeito do óbvio. Pensar filosoficamente significa questionar, confrontar problemas. Ninguém pensa de graça, nós só pensamos autenticamente se tivermos que enfrentar obstáculos: em Filosofia, o impasse é condição para a passagem.

Refletir – Mas, em última análise, não basta pensar; é preciso exercer um pensar que envolva o sujeito, que volte-se sobre aquele que pensa. Nesse sentido, o pensar filosófico parte do sujeito, encontra-se com o objeto e volta-se novamente sobre o sujeito; esse percurso reflexivo, portanto, é próprio de uma tomada de consciência que vem a posteriori, de um saber crepuscular ou que acontece no depois. Nesse sentido, o pensar filosófico é especular, é implicação do sujeito no problema a ser pensado.

Conceituar - Já desde os antigos, pensar filosoficamente implica em ser poeta, no sentido grego da palavra, ou seja, implica em fabricar, produzir, criar palavras e conceitos; ser capaz de sintetizar a experiência, uma multiplicidade vivida, na direção de uma unificação conceitual. Essa capacidade sintética significa pensar de modo criativo, percebendo e produzindo cultura, inteligência e pensamento.

Argumentar – A capacidade de argumentar é uma habilidade igualmente essencial: o filósofo tem que ser capaz de defender uma posição, atacar ou criticar outras, ou seja, é preciso que ele saiba sustentar com razões a posição que adota; trata-se de justificar coerentemente o conhecimento que se pretende ter; filosofar implica, sempre, em dar razões de si mesmo e de suas tomadas de posição, para si e para o outro, é isso o que lhe confere sua dignidade.

Texto retirado do CBC de Filosofia

Trabalhos de Recuperação - 2º Bimestre - 2013


Nos links abaixo, faça download dos trabalhos de recuperação paralela referente ao 2º bimestre de 2013. Os trabalhos deverão ser entregues ao professor até o dia 14/8/2013 em cópia impressa.


Trabalhos de Recuperação - 1º Bimestre de 2013


Clique nos links abaixo e faça download do trabalho de recuperação, que deverá ser entregue na data estipulada.


Documentário - Inside the Medieval Mind






Bruxas, castelos, fogueiras, armaduras, violência. É no que a gente costuma pensar quando ouve falar em Idade Média. Mas como era, realmente, a vida do povo desta época? A série Por dentro da mente medieval conta com o prof. Robert Bartlett da Universidade de St Andrew que investiga o cenário intelectual do mundo medieval.

Episódio I: Conhecimento 
No primeiro episódio, Conhecimento, é explorada a forma através da qual o homem medieval compreendia o mundo. Um mundo misterioso, cheio de superstições, e até encantado.

Download do Episódio 01



Episódio II: Sexo 
Neste episódio, iremos conhecer como era a visão do sexo na idade média. Em uma época dominada pela religião esse tema era muitas vezes visto como tabu,entretanto esse episódio nos trás informações novas acerca de como os medievais se comportavam em relação ao sexo.



Episódio III: Crença
Para o individuo medieval,com a vista presa à religião,o mundo estava rodeado por anjos e demônios “lutando” pelo controle das almas mortais. Em uma época onde a Igreja gozava de grande poder,os representantes de Deus não só decidiam como todos deveriam viver,eram também os responsáveis por aqueles que iriam “morrer por Cristo”.


Episódio IV: Poder 
Bartlett expõe nesse episódio a estrutura brutal do sistema de classes medieval, onde a desigualdade fazia parte da ordem natural,apoiada por desígnio divino.







Os episódios, dessa pequena série, estão hospedados no site hotfile (Se converter os vídeos para AVI as legendas passarão normalmente), cada episódio tem cerca de 380 MB e duração de 1 (uma) hora. Estão zipadas, e no formato MP4 com legendas a parte; ideal de ser visto no VLC Média Player.